Restauradas, escolas serão abertas à comunidade

A prefeitura do Rio quer restaurar suas escolas e abri-las à comunidade. Numa pesquisa nos 1.040 estabelecimentos da rede, as Secretarias de Educação e das Culturas encontraram prédios construídos entre 1940 e 1970, o auge da arquitetura modernista brasileira, com espaços que podem ser reaproveitados para atividades artísticas e comunitárias à noite e nos fins de semana ? horários em que os espaços ficam ociosos.?São projetos arquitetônicos com a mesma tipologia, atendendo a uma filosofia que privilegiava a arte-educação, uma linha que caiu em desuso nos anos 80, mas está de volta?, diz o secretário das Culturas, Ricardo Macieiras. ?Nossa idéia é reformar, equipar e entregar os teatros aos artistas e produtores locais.?Cinco escolas foram escolhidas para o projeto piloto, que vai custar R$ 4 milhões e deve ficar pronto em um ano: Anita Garibaldi, na Ilha do Governador; Grécia, na Vila da Penha; Maranhão, em Pilares, zona norte; Pio X, em Jacarepaguá, zona oeste, e Guatemala, no centro. ?Escolhemos em bairros carentes de atrações culturais?, afirma a secretária de Educação, Sônia Mograb.Arquitetura ModernaA prefeitura quer investir nas escolas porque identificou uma enorme demanda por teatros e auditórios nos bairros onde ficam os colégios. Apesar de só uma das escolas, a Anita Garibaldi, ser tombada pelo Departamento Geral de Patrimônio Cultural, as cinco são dos anos 50, com projeto do arquiteto Roshtan de Farias, funcionário do Departamento de Obras.Os prédios são exemplos da arquitetura moderna: têm paredes de tijolo vazado, azulejos na fachada e pilotis redondos, para melhor aproveitamento do espaço. Os pátios ficam sobre esses conjuntos de colunas. As salas de aulas, no primeiro andar e o auditório, no último, com capacidade para 250 pessoas em média, indicando que eram previstas reuniões de turmas de alunos.As escolas estão razoavelmente conservadas, apesar de faltar alguns azulejos na fachada da Anita Garibaldi faltarem e uma ou outra janela ter problemas para fechar. ?Há um público ávido por atividades culturais e também uma produção que sem espaço para ser mostrada, a não ser na zona sul?, diz Macieiras.?É só lembrar, por exemplo, que a maioria dos músicos de choro e samba moram nas zonas norte e oeste, mas trabalham longe de casa. Nossa idéia é levar a população a se apropriar desses espaços e usá-los integralmente.?

Agencia Estado,

14 de julho de 2003 | 01h23

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