Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Colégios particulares se dividem sobre nova data do Enem; entidades estudantis criticam

Exame federal será aplicado em janeiro e fevereiro de 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus

Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - Responsáveis por escolas se dividem quanto à nova data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vai ser aplicado em janeiro e fevereiro de 2021, conforme anunciou o Ministério da Educação (MEC) nesta quarta-feira, 8. O adiamento foi motivado pela pandemia do novo coronavírus, que levou à paralisação de aulas pelo País. Já as entidades que representam os estudantes criticaram a escolha.

Para Vera Lúcia Antunes, coordenadora do curso e colégio Objetivo, a marcação das provas para janeiro faz com que os alunos do terceiro ano e de pré-vestibular possam aproveitar melhor o que aprenderam neste ano.“É uma data que não é a ideal, mas é melhor que maio”, afirma Vera. Para ela, os estudantes que ficaram desestimulados com a indefinição ainda têm tempo de se esforçar para tirar boas notas.

Edmilson Motta, coordenador geral do colégio Etapa, afirma que se o Enem fosse mais tarde seria difícil que as universidades federais pudessem usar as notas para admissão de alunos. “Há a inadequação do contexto, com o estudo a distância, principalmente para os estudantes menos favorecidos. Levando em conta o momento, foi uma decisão razoável”, afirma.

Já Mauro Aguiar, diretor do colégio Bandeirantes, diz acreditar que o ideal seria a aplicação do exame ainda neste ano. Como algumas universidades federais ainda não anunciaram a data do vestibular, o calendário pode se chocar e os alunos podem ser prejudicados. “O ensino remoto no colégio está funcionando bem, fizemos pesquisas em relação a isso com uma empresa independente. O colégio tem muita tecnologia e os professores se esforçaram”, comenta o diretor.

Estudantes. Em nota, entidades que representam os estudantes criticaram a escolha de data diferente do que a enquete realizada com os candidatos indicou. “A data escolhida pelos poucos estudantes que conseguiram votar não foi levada em conta. A escolha feita pelo Ministério da Educação, de realizar a prova nos dias 17 e 24 de janeiro, demonstra que não existe um diálogo verdadeiramente democrático com os estudantes, profissionais da educação e da saúde”, informaram a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG).

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