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Reorganização afeta 80% dos colégios invadidos em SP

Das 174 unidades ocupadas no Estado, apenas 20% não passarão por nenhuma etapa de reestruturação proposta pelo governo

Luiz Fernando Toledo e Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2015 | 03h00

Atualizado às 8h10

SÃO PAULO - A maioria das escolas ocupadas por alunos no Estado de São Paulo está na lista da reorganização anunciada pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB). De 174 unidades tomadas por estudantes, segundo balanço parcial da Secretaria Estadual da Educação (SEE), 139 terão encerramento de ciclos ou serão fechadas - o número representa 80% do movimento. Apenas 35 unidades, ou 20%, não constam da lista da reorganização.

A tabulação foi feita pela reportagem com base em informações do portal da SEE. Às 20h30 de desta quinta-feira, 26, o número de escolas tomadas subiu para 182, mas a pasta não informou quais as unidades invadidas. As ocupações começaram no dia 9 deste mês. A reorganização prevê fechar colégios, criar ciclos únicos e transferir 311 mil alunos.

Das escolas com previsão de fechamento, 27 foram invadidas - um terço dos prédios a serem desativados. Além disso, 92 unidades ocupadas terão só ciclo único e outras 20 que oferecem ensinos fundamental 1 e 2 e médio vão fechar um deles.

É o caso do colégio da aluna Otília Balades, de 18 anos. “Estamos ocupando porque não concordamos com a reorganização. Não fomos consultados por ninguém. Aluno, pai, professor, nada”, disse ela, que está no 3.º ano do ensino médio da escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, zona oeste. A unidade vai ofertar apenas o ensino médio.

Para a estudante Laís de Souza Santos, de 17 anos, é a qualidade de ensino que motiva os protestos. “Não ocupo só pela minha escola, mas contra a reorganização. Precisamos de mais escolas, não menos”, disse a aluna do 3.º ano do ensino médio da escola Diadema, que perderá o turno da noite. Nesta quinta-feira, a Vara da Fazenda Pública do município negou reintegração de posse de três escolas.

Repasse. Segundo o governo, as escolas não serão fechadas, mas repassadas para prefeituras. Alckmin e o secretário Herman Voorwald têm dito que os alunos não entenderam a reorganização, parte das ocupações tem motivação política e que a melhoria da qualidade do ensino motiva a reorganização.

“Os alunos não só entenderam a reorganização, como são contra. O problema é que não existe um plano de reorganização, o que dá margem à especulação”, disse Ocimar Alavarse, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Para o advogado Salomão Ximenes, da Ação Educativa, é “arrogante” a postura do governo de dizer que o movimento não entende o projeto. “Os alunos discordam da forma e do conteúdo. As ocupações de escolas que estão fora da reorganização mostra o efeito em cadeia de um movimento que se expandiu.”

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