Reitoria diz que diretor da USP foi agredido por grevistas

Segundo texto divulgado pela universidade, Laerte Sodré Júnior foi 'atingido por um soco na região torácica' durante um tumulto

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2014 | 23h04

SÃO PAULO - A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) afirmou que o diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), Laerte Sodré Júnior, foi agredido por funcionários grevistas na quinta-feira, dia 14 de agosto.

Segundo texto divulgado pela universidade nesta sexta-feira, 15, Sodré Júnior foi "atingido por um soco na região torácica" durante um tumulto na entrada do IAG. A reitoria afirma que a confusão ocorreu quando os grevistas "impediam a entrada de docentes, professores e funcionários ao local."

A administração da universidade diz que Sodré teve de passar por atendimento médico e registrou a ocorrência no 93º DP. Sodré não foi localizado pela reportagem. 

A assessoria do reitor Marco Antonio Zago afirma ainda que durante uma assembleia do sindicato na frente do prédio da reitoria, no dia 4 de agosto, que culminou com o fechamento do local, "funcionários e docentes sofreram constrangimentos - que incluíram ameaças de cárcere privado e violação de privacidade por parte dos grevistas - ao tentar sair do prédio."

Sindicato. O diretor do Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, afirma que não houve agressão a Sodré Júnior e nega que tenha havido constrangimentos ou ameaças aos funcionários que estavam na reitoria na data em que o prédio foi fechado pelos grevistas. 

Segundo Carvalho, na quinta-feira passada os funcionários faziam um piquete na frente do prédio do IAB, quando o diretor da unidade se aproximou do grupo e chamou os funcionários do IAB para entrarem no prédio. Ele afirma que o diretor "criou um tumulto e tentou cavar uma agressão".""Ele chegou para provocar. Ficou nervoso porque não conseguiu convencer as pessoas e foi para cima.  Teve uma hora que ele se jogou contra um companheiro e o companheiro teve de afastar ele com a mão, mas não houve agressão", afirma. 

O diretor do Sintusp afirma que o fechamento do prédio da reitoria ocorreu após uma assembleia em que os funcionários estavam discutindo o corte de salários dos grevistas. Durante o ato, os manifestantes decidiram fechar o prédio. "Avisamos à segurança do prédio que não ia entrar mais ninguém, mas que quem estava dentro do prédio não podia sair. Todos os que estavam lá saíram com tranquilidade", afirma. "É o contrário do que a reitoria diz: nós estávamos incentivando as pessoas a saírem."

Para Carvalho, a nota da reitoria é uma tentativa de criminalizar o movimento grevista. "Eles (a reitoria) estão tentando cavar alguma coisa para tentar incriminar o movimento. Como eles não estão conseguindo acabar com a greve com corte de salários, vão tentar de outra forma."

O sindicato promete fechar todos os portões da universidade na próxima quarta-feira, a partir das 5 horas da manhã. "Desta vez a universidade vai ficar fechada por um bom tempo. Vamos fechar toda a USP e botar até churrasqueira nos portões para os funcionários poderem ficar lá."

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