Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Reitoria da USP pede reintegração de posse de prédio

Edifício da administração central foi ocupado por um grupo de alunos na noite de terça-feira

Estadão.edu

03 Novembro 2011 | 16h20

A reitoria da USP pediu na Justiça, na tarde desta quinta-feira, a reintegração de posse do prédio da administração central no câmpus do Butantã, na zona oeste da capital, ocupado desde a madrugada de quarta-feira por manifestantes contrários à presença da Polícia Militar na Cidade Universitária.

 

Caso a Justiça atenda ao pedido, a PM poderá ser acionada para garantir o fim da ocupação. A decisão de pedir a reintegração de posse partiu da comissão permanente de negociação da reitoria. "Espera-se que a situação se resolva sem que sua execução seja necessária", afirmou a comissão em nota.

 

Em entrevista à Rádio Estadão/ESPN na manhã desta quinta, o reitor João Grandino Rodas disse que é seu dever legal trabalhar pelo fim da ocupação da reitoria. "O administrador público não pode deixar a situação prosseguir indefinidamente", afirmou. "Do contrário, ele próprio pode ser processado e condenado."

 

Para o reitor, a forma perfeita de resolver a situação é o diálogo. "Isso passa pela própria resolução dos alunos", ressaltou.

 

Invasão

 

Estudantes invadiram a reitoria depois de votação em assembleia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) decidir pela desocupação do prédio da faculdade, invadido na última sexta-feira, quando PMs detiveram três alunos da Geografia que fumavam maconha no câmpus.

 

A principal reivindicação dos estudantes é a saída da polícia da Cidade Universitária. Os PMs atuam no câmpus a pedido da reitoria desde março, por causa dos índices de furtos. Em maio, o estudante Felipe Ramos de Paiva foi morto no estacionamento da FEA após uma tentativa de assalto. Em setembro, a universidade firmou convênio para reforçar o policiamento no câmpus.

 

Os manifestantes também pedem a revogação de processos administrativos contra alunos, funcionários e professores. A pauta tem o apoio do Diretório Central do Estudantes, mas a entidade considera a invasão "antidemocrática".

 

Cerca de 30 estudantes permaneciam ontem à tarde do lado de fora da reitoria - a maioria cobria o rosto com panos e camisas, mas já sem pedras e paus que usaram na ocupação. Uma assembleia foi marcada para as 20h de hoje, quando deve ser decidido se a ocupação do prédio vai continuar.

 

Rotina

 

A invasão já afeta serviços importantes que funcionam no local. Bolsas de estudo, convênios, serviços administrativos das pró-reitorias e de recursos humanos são alguns deles. Os funcionários dessas áreas devem trabalhar temporariamente em outros edifícios enquanto durar a ocupação.

 

O expediente do reitor João Grandino Rodas também será afetado - seu gabinete foi ocupado pelos estudantes. Até que a situação se resolva, ele vai despachar de outros lugares e até de fora do câmpus. Alguns funcionários da reitoria foram trabalhar ontem e hoje, mas nem chegaram a entrar no prédio.

 

Apesar dos protestos, a presença da PM seguiu como de rotina, ontem, com cinco carros circulando pelo câmpus. Francisco de Oliveira e Luiz Renato Martins, professores da FFLCH e da Escola de Comunicação e Artes (ECA), visitaram a reitoria ontem para manifestar apoio à ocupação.

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