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Reitoria da USP ataca projeto de clube do XI de Agosto no Ibirapuera

Texto inclui 15 'perguntas que precisam ser esclarecidas' sobre o empreendimento; um item questiona se projeto é ético

Carolina Stanisci, Estadão.edu

23 Agosto 2011 | 17h40

A reitoria da USP usou o boletim periódico divulgado por sua Assessoria de Imprensa para questionar de forma veemente o projeto do Clube das Arcadas, complexo esportivo, comercial e cultural que o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito, pretende construir no Ibirapuera, zona sul da capital. O texto inclui 15 "perguntas que precisam ser esclarecidas" sobre o empreendimento. Uma delas questiona se o projeto é ético.

 

De acordo com a reitoria, a construção do clube, na área entre as Avenidas Pedro Álvares Cabral e Doutor Dante Pazzanese, pode interferir na transferência do acervo do Museu de Arte Contemporânea (MAC) para o terreno vizinho, no antigo prédio do Detran - objeto de negociação entre a USP e o governo estadual há anos.

 

"Estando próximos a finalização da reforma do prédio e o término das tratativas, surpreendeu-se a universidade com notícias jornalísticas de acontecimentos que interferem na desejada implantação do museu", diz o texto.

 

Ética. "O C.A. XI de Agosto possui a área há tantos anos e somente agora lançou empreendimento com tais características, confiando totalmente em financiamento alheio, público e privado", afirma o texto do boletim. "Não buscaria se beneficiar da instalação do MAC e da marca USP, para conseguir o dinheiro? Até que ponto isso é ético?"

 

Citando reportagens recentes sobre o clube, a reitoria também criticou a disposição do XI de Agosto de construir um teatro no complexo com dinheiro de doadores, que ganhariam placas no teatro. "Como mencionado na matéria de O Estado de S. Paulo, uma empena externa do edifício será inteiramente recoberta por nomes, em letras garrafais, dos doadores. Tal ação, inédita na capital paulista, é permitida pela Lei da Cidade Limpa?"

 

Em outro item, a reitoria pergunta qual é o perfil do comerciante que explora, nas últimas décadas, uma loja dentro do terreno do C.A. XI de Agosto e qual sua participação no futuro empreendimento, questionando se é possível a participação de comerciante "interessado em um empreendimento em que há captação de recursos com base em lei federal de incentivos fiscais e doações".

 

Ao final, o documento conclui que, caso a USP transfira o MAC para o prédio reformado do Ibirapuera e o C.A., ao lado da Associação dos Antigos Alunos da faculdade, consiga construir o clube, que o projeto do clube deverá ser "profundamente analisado, tanto pelos órgãos da universidade, quanto pelo público em geral".

 

O projeto do clube foi divulgado no dia 10 à comunidade acadêmica na própria Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Na ocasião, o C.A. e a Associação dos Antigos Alunos afirmaram que estudantes, ex-alunos, empresários e eventuais interessados podem fazer doações para o projeto - que já tem autorização, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, para captar cerca de R$ 13 milhões.

 

Procurado, o C.A. XI de Agosto diz que vai se manifestar só após se reunir para discutir o teor do documento. Já a Assessoria de Imprensa da USP afirma que o reitor, João Grandino Rodas, já se manifestou por meio do texto.

 

O presidente da Associação dos Antigos Alunos, José Carlos Madia de Souza, se disse "estupefato" após ler o boletim. "O reitor, quando era diretor da faculdade, participou de reuniões com o escritório Pinheiro Neto (que está prestando auxílio jurídico ao projeto) para falar do clube", afirmou. A associação, ao lado do XI de Agosto e da Associação Atlética da Faculdade de Direito, serão os administradores do complexo.

 

Atualizada às 20h50

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