Reitores querem ampliar teto salarial para R$ 26 mil

Dirigentes das estaduais dizem que a medida é necessária para manter talentos acadêmico; hoje, limite é de R$ 20,6 mil

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Apesar do alto comprometimento das receitas das universidades com salários, os reitores das estaduais paulistas - USP, Unesp e Unicamp - pediram, em ofício encaminhado ao governo do Estado, o aumento do teto remuneratório nas instituições. O argumento dos dirigentes é de que essa medida garantiria a atratividade e a permanência de talentos acadêmicos no ensino superior estadual. 

De acordo com a Constituição paulista, o teto é o rendimento do governador Geraldo Alckmin (PSDB), hoje em R$ 20.662. O conselho de reitores pede que o limite de remuneração seja 90,25% do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal, o que corresponde atualmente a R$ 26.533. Para o ano que vem, a Corte ainda reivindica aumento de 22% nos vencimentos dos ministros. 

A requisição atende a uma demanda antiga dos professores das estaduais paulistas, que ganham menos do que os docentes das universidades federais. Segundo o documento, “torna-se necessário direcionar nossos esforços no sentido de incentivar a atratividade, a permanência e a dedicação exclusiva”. 

Os reitores pedem mudança na Constituição que permita o novo teto para os Executivos estadual e municipal, o que teria impacto nos cofres paulistas. Nos protestos durante a greve, líderes dos funcionários e dos estudantes foram críticos aos salários pagos a dirigentes. 

Fiscalização. Neste ano, o Tribunal de Contas do Estado já rejeitou contas de USP, Unicamp e Unesp pelo pagamento de supersalários. A defesa das universidades é de que os servidores citados pela Corte acumulavam cargos de gestão, o que elevaria os rendimentos. 

A diminuição da massa salarial é o principal desafio das universidades estaduais. As três gastam praticamente todas as receitas com a folha de pagamento, o que levou os reitores a proporem reajuste zero para docentes e funcionários em 2014. A situação mais crítica é a da USP, que gasta 105% do que recebe com remunerações. 

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