Reitores de federais fazem defesa de universidade gratuita

Os reitores das universidades federais saíram em defesa do ensino superior público e gratuito na abertura do Seminário Internacional Universidade XXI, nesta terça-feira em Brasília. A presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Wrana Panizzi, classificou como ?mito? a afirmação de que os brasileiros mais ricos monopolizam o acesso à universidade pública e que a sociedade, por isso, estaria fazendo um ?favor pessoal? aos que obtêm nelas o seu diploma.?Sabemos que os estudantes das universidades públicas não são mais ?ricos? do que os das instituições privadas?, disse ela em seu pronunciamento. ?Sabemos que as parcelas mais pobres da população brasileira não têm acesso à universidade como não têm acesso a tantos outros bens e serviços. Daí a se concluir que somente os ricos freqüentam as universidades públicas vai uma grande distância.?Wrana, que é reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, voltou a criticar o relatório do Ministério da Fazenda sobre gastos sociais, divulgado neste mês, que sustenta a tese do privilégio aos mais ricos nos serviços públicos como a educação. ?A visão de que a educação superior é uma espécie de privilégio que só pode ser desfrutado por alguns parece servir à elite conservadora?, alfinetou a representante dos reitores.Única possibilidadeEsta visão, disse, contradiz o discurso ?quase unânime que reconhece o papel estratégico da educação para o desenvolvimento das nações?. Wrana lembrou que a universidade pública é referência em ensino e pesquisa e, graças aos pesquisadores, o agronegócio brasileiro responde por 40% das exportações do país. ?De 1993 a 2003, a produção brasileira de grãos aumentou de 68 milhões para 120 milhões enquanto a área cultivada cresceu apenas 22%?, citou a reitora.Segundo Wrana, as universidades privadas têm hoje ?meio milhão de vagas ociosas? e a universidade gratuita é ?a única possibilidade de acesso à educação superior para milhares de brasileiros?. Lembrando a grave crise financeira das federais, a presidente da Andifes disse que o governo precisa garantir meios para o custeio das despesas e para a remuneração digna de professores e técnicos, única forma de ?adentrar com firmeza no século XXI?.

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