Reitores das estaduais aprovam proposta de 5,2% de reajuste

Aumento nos salários, segundo a proposta, se dará em duas etapas: a 1ª será paga a partir de setembro e a 2ª a partir de janeiro de 2015

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2014 | 19h10

Atualizada dia 4, às 12h35

SÃO PAULO - No dia em que a greve de funcionários e professores chegou a cem dias, o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) estendeu ontem aos servidores das três instituições de ensino superior do Estado a oferta de reajuste de 5,2% defendida pelo órgão máximo da Universidade de São Paulo (USP). Dirigentes das entidades sindicais da USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), porém, criticaram a proposta. 

Em reunião de mais de duas horas, ontem na capital, com representantes do Fórum das Seis - órgão que reúne sindicatos de funcionários e docentes das três universidades -, os reitores propuseram também dividir o índice em duas etapas, em outubro (2,57%) e janeiro (2,57%). O reajuste incidirá sobre o 13.º salário. 

Os servidores, em greve desde 27 de maio, reivindicam reajuste imediato de 9,78%. Trata-se de uma das maiores paralisações da história das universidades estaduais, deflagrada após o anúncio do congelamento dos salários. A medida foi tomada como uma das alternativas para combater, sobretudo, a crise financeira da USP, que gasta mais de 105% de seus recursos com a folha de pagamento.

Uma audiência de conciliação será realizada hoje no Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2), às 10 horas, para tratar do dissídio da USP. A expectativa dos grevistas é de que a Corte reajuste os salários segundo a inflação do período e pague os valores retroativos a maio, data-base da categoria. “Se os desembargadores forem coerentes, deverão dar a inflação”, disse Magno Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). 

Depois da reunião da USP na Justiça do Trabalho, os grevistas das três universidades devem realizar assembleias para discutir a greve conjunta. Após as votações, os seis sindicatos vão apresentar uma resposta ao Cruesp na terça-feira.  

Também está marcada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para discutir as desvinculações do Hospital Universitário (HU) e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), que fica em Bauru, no interior. 

Demissão. Os grevistas também criticaram a decisão do Conselho Universitário da USP de implementar um Plano de Demissão Voluntária (PDV), que valerá para funcionários com mais de 20 anos de carreira. A cada ano trabalhado será ofertado um salário de bônus. O impacto financeiro será de R$ 400 milhões, mas a reitoria alega que, a longo prazo, o plano vai reduzir em 7,5% o peso dos salários sobre os gastos com servidores. 

Para Carvalho, do Sintusp, a medida “é um projeto de desmonte da universidade”. Coordenador do Fórum das Seis e professor da USP, César Minto disse estar “preocupado” com o plano de demissões. “É inaceitável que propostas dessa monta não sejam discutidas com calma”, afirmou. 

Protesto. Alunos, professores e servidores das três universidades fizeram ontem uma passeata contra as decisões do conselho da USP. O protesto começou por volta das 10 horas no câmpus Butantã, zona oeste da capital, e seguiu até o Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Grevistas e estudantes da Unesp e da Unicamp também participaram. Segundo a Polícia Militar, eram 600 pessoas no ato. 

Às 16 horas, os manifestantes se dirigiram ao prédio do Cruesp, na Rua Itapeva, onde se encontrava também o Fórum das Seis. A via ficou fechada até as 18h30. Policiais da Tropa de Choque bloquearam totalmente a entrada do edifício. Outras vias, como as Avenidas Paulista e Rebouças, tiveram bloqueios de todas as pistas por mais de uma hora durante a passeata. 

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