Reitora ignorou mais votado em sucessão na FEA

Grupo ligado a Serra 'deu o troco' em Suely Vilela com escolha de Rodas para sucedê-la

Julio Meira, Especial para o Estadão.edu

13 Novembro 2009 | 19h45

 A escolha de João Grandino Rodas para reitor da USP representou uma espécie de vingança para a ala da universidade ligada ao governador José Serra em sua disputa com a atual reitora, Suely Vilela. Suely, que emplacou dois defensores de sua gestão na lista tríplice enviada a Serra (o candidato mais votado, Glaucius Oliva, e o terceiro colocado, Armando Corbani) foi supostamente a grande perdedora com a decisão do governador de nomear Rodas. Mas a própria reitora já tinha feito isso, preterindo o mais votado na escolha do diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) em 2006. Na ocasião, Suely não levou em consideração a indicação do candidato mais votado, o economista Hélio Nogueira da Cruz, apoiado por círculos serristas de peso na academia. Preferiu nomear diretor da FEA o segundo colocado na eleição, Carlos Roberto Azzoni, o que provocou polêmica na comunidade da USP e críticas à "'ingerência" da reitoria na autonomia das escolas da universidade. O episódio também foi considerado um ataque direto de Suely a eventuais pretensões futuras de Cruz, candidato natural na disputa de sua sucessão como reitora. A rivalidade entre os dois grupos já vinha da eleição de Suely. Professor titular da FEA e, à época, vice-reitor, Cruz venceu o primeiro turno da disputa. No segundo turno, o economista ficou apenas em terceiro lugar, superado pela surpreendente Suely, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, e pelo geógrafo Adilson Abreu Avansi, pró-reitor de Cultura e Extensão. Com a lista tríplice encaminhada ao Palácio dos Bandeirantes, tucanos sugeriram ao então governador Geraldo Alckmin que chancelasse o nome de Cruz, sob o argumento de que o primeiro turno da eleição tem colégio eleitoral maior e é tido pela comunidade da USP como mais democrático e mais representativo. Apesar dos argumentos em favor de Cruz, e da prerrogativa governamental de escolher qualquer um entre os três indicados, Alckmin, afinal, optou por Suely. Alertado por assessores, evitou assumir o ônus político de quebrar uma tradição mantida desde 1981, quando, em plena ditadura militar, o governador Paulo Maluf escolheu como reitor Antônio Hélio Guerra Vieira, quarto colocado na lista, que na época tinha seis nomes. Quando preteriu Cruz, Suely selou sua ruptura com o grupo do economista. Fontes consultadas pelo Estadão.edu disseram que a candidatura de Rodas, diretor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, nasceu como resposta direta a essa disputa. O nome principal do grupo seria o do próprio Cruz, mais conhecido do que Rodas na comunidade universitária. Circunstâncias de articulação política, no entanto, levaram os aliados de Cruz à escolha de Rodas. Durante a campanha, o diretor da Faculdade de Direito não escondeu seus vínculos com figuras do alto escalão serrista, como o secretário de Justiça Luiz Antônio Marrey, o que lhe valeu críticas de colegas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.