Reitor usa Diário Oficial para criticar Clube das Arcadas

Texto reitera que USP não quer ser vinculada a empreendimento do XI de Agosto no Ibirapuera

Estadão.edu

02 Setembro 2011 | 13h42

Em mais um capítulo da polêmica entre a USP e o Clube das Arcadas, nesta sexta-feira, 2, foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo declaração da reitoria sobre o complexo cultural-esportivo que será construído próximo ao Ibirapuera, zona sul da capital. É a terceira vez que a reitoria usa meio de comunicação oficial para reiterar que não deseja ver o nome da universidade vinculado ao empreendimento.

No texto (confira na íntegra aqui) é dito que a universidade não apoia nem tem qualquer responsabilidade em relação ao complexo. A reitoria desconsidera o fato de o clube ter sido oficialmente lançado em uma dependência da USP - o Salão Nobre da Faculdade de Direito - e de os idealizadores do complexo (C.A. XI de Agosto, Associação de Antigos Alunos e Atlética) usarem a frase "da Faculdade de Direito" como parte de sua razão social.

Embora tenha participado de reuniões para a concretização do projeto quando era diretor da Faculdade de Direito, o reitor João Grandino Rodas afirma que desconhecia a "magnitude" do empreendimento privado.

"Eventuais doadores o serão (responsáveis) por conta própria e risco, estabelecendo liame entre eles e as entidades empreendedoras, nas quais a USP não se insere", conclui o texto.

O reitor já havia se manifestado, em dois boletins da universidade, sobre o imbroglio.

Para lembrar

Em 2009, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, dirigida por Rodas, lançou ao lado da Associação de Antigos Alunos campanha para arrecadar fundos para reforma de salas da unidade mais antiga da USP. Herdeiros do banqueiro Pedro Conde e o escritório de advogados Pinheiro Neto fizeram as doações mais vultosas, de cerca de R$ 1 milhão.

O escritório diz que não pediu contrapartida à doação, mas o herdeiro do patrono, Pedro Conde Filho, processa a USP na Justiça e quer de volta R$ 1,1 milhão doado para reforma de sala e banheiros.

De acordo com Conde Filho, contrato firmado com Rodas previa a colocação de placa do nome do banqueiro no topo da sala - o que foi feito num primeiro momento. Após revolta dos alunos, que discordavam da colocação do nome de doadores em salas, e da oposição de alguns docentes, a congregação da faculdade, instância máxima de decisão, votou pela retirada da placa no ano passado.

Outra polêmica envolvendo a faculdade e a USP foi a transferência de parte do acervo de livros da Faculdade de Direito para outro prédio. Os alunos ficaram meses sem acesso aos livros, e o Ministério Público Federal chegou a investigar as condições da construção que abrigava as publicações. A mudança dos livros foi feita poucos dias antes da cerimônia de posse de Rodas como reitor.

 

 

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