Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Reitor diz que USP voltará a contratar professores em 2017

Segundo a reitoria, terão prioridade 'as demandas mais urgentes nos cursos de graduação e o desenvolvimento de pesquisas'

ISABELA PALHARES, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 03h00

SÃO PAULO  - A Universidade de São Paulo (USP) divulgou nesta segunda-feira, 4, que voltará a contratar professores no próximo ano. Segundo a reitoria, serão priorizadas "as demandas mais urgentes" nos cursos de graduação e o desenvolvimento de pesquisas. A universidade suspendeu a contratação de funcionários em fevereiro de 2014 para frear os gastos da instituição com a folha de pagamentos, que ultrapassava os repasses do Estado.

 

"A suspensão das contratações foi uma necessidade. Caso contrário, hoje não teríamos condições de pagar os salários dos servidores em dia. Felizmente, tomamos medidas preventivas para evitar que isso ocorresse", disse o reitor Marco Antônio Zago. No entanto, no primeiro semestre deste ano a USP continuou gastando mais com os servidores do que recebe de repasses do Estado - no período, a folha de pagamentos consumiu 105,7% dos repasses.

A retomada das contratações foi comunicado aos diretores das unidades no dia 28 de junho pelo reitor.

A USP informou que o número de professores doutores a serem contratados dependerá da demanda informada pelos departamentos. Também informou que as admissões seguirão os regimes de contratação atual das unidade,sem qualquer mudança.

As admissões serão feitas de forma escalonada em 2017 e 2018. A universidade irá definir as contratações de duas formas, a primeira para "as necessidades mais urgentes dos cursos de graduação". A partir de agosto, os diretores das unidades devem encaminhar uma lista com a solicitação para a admissão de novos professores doutores, elencando a prioridade para qual departamento e atividade de ensino os cargos serão direcionados.

A segunda frente de contratações será para pesquisa. De acordo com a reitoria, os departamentos que receberem bolsistas do Programa Jovem Pesquisador, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), entre maio de 2016 e janeiro de 2018, poderão pleitear uma vaga por concurso. A previsão é de que sejam concedidas 65 vagas, sendo 25 reservadas para departamentos com pesquisas já em andamento.

Também serão abertas vagas para admissão de professor na coordenadoria de cada um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fapesp ligados à USP, atendendo ao compromisso assumido pela reitoria quando foi feita a assinatura do programa. A universidade tem 11 centros do tipo.

Alunos. A contratação de professores é uma das demandas dos alunos da USP, que estão em greve desde maio. Em alguns cursos, como História, Matemática e Letras, os estudantes afirmam que a falta de professores fez com que algumas disciplinas deixassem de ser ministradas.

"Com certeza essa decisão da reitoria é uma vitória da nossa mobilização. O reitor percebeu que a intransigência e falta de negociação não vão surtir efeito e essa conquista nos dá ainda mais força para continuar lutando pelas nossas outras pautas", disse a estudante Gabriela Ferro, do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Os alunos também reivindicam a adoção de cotas sociais e raciais na USP e políticas de permanência estudantil.

O Estado tentou contato com a Associação dos Docentes da USP (Adusp) na noite desta segunda-feira, mas ninguém foi localizado.

Crise. A USP também informou ontem que deve encerrar o ano com déficit de R$ 868 milhões, o que representa R$ 325 milhões a mais do que o inicialmente previsto. Segundo a instituição, avariação se deve à queda de 3,44% nos repasses do Estado, pela diminuição da arrecadação do ICMS.

Segundo a Coordenadoria de Administração Geral da USP, a situação só não é mais preocupante em função das medidas de contenção que já haviam sido adotadas, como a redução de 12% nas despesas de pessoal, entre 2014 e 2016, e 46% nas depesas de custeios e investimentos. No entanto, a instituição afirmou que será necessário adotar novas providências de contenção e de revisão das prioridades de despesas. 

Além da suspensão de novas contratações de funcionários e docentes, o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PDV) era uma das principais apostas da USP para conter a crise financeira. O programa teve a adesão de 1.443 funcionários, o que resultou numa redução de 4% na folha de pagamentos.

Com os gastos dos servidores maior do que os repasses, a universidade tem recorrido a reservas financeiras para manter as contas.  A USP, que vem usando as reservas bancárias desde junho de 2012 e já viu o saldo de sua poupança despencar de R$ 3,61 bilhões para R$ 1,3 bilhão, no fim do ano passado. 

 

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