Marcelo Carnaval / Agência O Globo
Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Reitor da Uerj diz que 'não há diálogo com a barbárie' e faz acusação

Para Ricardo Vieiralves, manifestantes recrutaram moradores de rua e Favela do Metrô para ato que terminou com tumulto e depredação

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

29 Maio 2015 | 12h46

Atualizada às 19h41

RIO - Após o tumulto entre estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), policiais militares e seguranças no câmpus na noite da quinta-feira, 28, o reitor Ricardo Vieiralves, responsabilizou nesta sexta-feira, 29, o que chamou de "falanges políticas" pela confusão.

Em nota oficial intitulada "Não há diálogo com a barbárie", o professor acusou esses grupos de terem recrutado pessoas externas à instituição, na zona norte do Rio de Janeiro, como moradores de rua e da Favela do Metrô, que é próxima, para fazer "crescer" um ato político e provocar ações violentas.

Já estudantes afirmaram que a ação dos seguranças da universidade, com mangueiras anti-incêndio, e da Polícia Militar, com bombas de gás lacrimogêneo no estacionamento do câmpus, foi desproporcional.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra quando os funcionários da instituição dispararam jatos d'água contra alunos. Nas imagens, também é possível ver que uma bomba, aparentemente  de fabricação caseira, é lançada, e pessoas aparecem jogando objetos contra a portaria.

De acordo com reitor, alguns manifestantes - ele diz que 200 pessoas estavam concentradas no estacionamento da instituição - estavam armados com "barras de ferro, madeira, pedras e bombas" e destruíram a portaria central da universidade.

Vieiralves afirmou ainda no texto que a universidade abrirá inquérito administrativo para apurar o fato. Foi registrada pela universidade na 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira) queixa de lesões corporais e danos ao patrimônio público.

"Estamos atentos e vigilantes para impedir que haja instauração em nossa instituição de um estado permanente de terror e violência", declarou Vieiralves.

Na última sexta-feira, 22, ele já havia decretado a suspensão das atividades da universidade por medo de ações violentas, que, segundo o reitor, estariam sendo planejadas por grupos radicais de alunos para este dia. A universidade vive um período de tensão, com corte de verbas.

Pezão. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), condenou nesta sexta-feira, 29, o tumulto que causou a depredação na Uerj. "Aluno não depreda o seu local de estudo. A universidade é patrimônio deles. Toda aquela baderna foi promovida por vândalos", afirmou o governador. Segundo Pezão, não há atraso de repasse de verbas para a Uerj. O governador disse ainda que a Polícia Militar atuou, a pedido da Prefeitura do Rio, no apoio às demolições na Favela do Metrô, vizinha ao campus da universidade.

A confusão na portaria central começou quando alunos e moradores da Favela do Metrô, na Mangueira, zona norte, que protestavam nas imediações da Uerj contra a demolição de quatro imóveis na comunidade, tentaram se refugiar dentro da instituição.

Na rua, policiais militares estariam usando spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo contra a manifestação, que teria recebido a adesão de estudantes. Alguns manifestantes jogaram pedras contra os PMs. Os policiais revidaram com bombas de gás.

Para fugir da polícia, estudantes e moradores correram para a universidade. Ao chegar à portaria da Uerj, foram impedidos de entrar pelos seguranças. Alguns alunos quebraram vidros e objetos no local, enquanto eram atacados com água pelos seguranças.

Em nota, a PM nega que tenha havido invasão de moradores da Favela do Metrô na Uerj. A corporação disse ainda que não há registro de feridos no tumulto e que o policiamento nos arredores da universidade foi reforçado nesta sexta-feira.

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