Reitor da USP diz que tem 'obrigação legal' de agir contra ocupação

João Grandino Rodas admite que iluminação na USP é ruim e promete novas lâmpadas, de LED

Estadão.edu

03 Novembro 2011 | 15h03

Falando de um local secreto à Rádio Estadão/ESPN, o reitor da USP, João Grandino Rodas, disse na manhã desta quinta-feira que é seu dever legal trabalhar pelo fim da ocupação da reitoria, iniciada no começo de quarta. "O administrador público não pode deixar a situação prosseguir indefinidamente", afirmou o reitor. "Do contrário, ele próprio pode ser processado e condenado."

Rodas criticou o comportamento da "minoria" que ocupa o prédio - "devem ser umas 20 pessoas", disse - e lembrou que na terça uma assembleia de alunos votou pelo fim da ocupação do prédio administrativo da FFLCH. "Estamos perto do fim do ano letivo. A ocupação é um transtorno maior para os estudantes do que para a universidade", declarou.

Para o reitor, a forma perfeita de resolver a situação é o diálogo. "Isso passa pela própria resolução dos alunos", ressaltou.

No seu entendimento, o Conselho Gestor do Câmpus (do qual Rodas não faz parte) pode examinar a continuidade do convênio com a PM. Por outro lado, lembrou, a Constituição dá à PM poder de policiamento em todo o território. "Está acima de nossas forças proibir a polícia no câmpus. Precisaria haver uma mudança constitucional. A USP é um território autônomo, mas não soberano."

O reitor disse que a segurança patrimonial no câmpus é "fraquíssima". "A própria invasão mostra isso. E também o aumento da criminalidade ocorrido no começo do ano, que aconteceu exatamente porque pensam que na USP não há policiamento nenhum."

A PM fez um levantamento comparando dados de criminalidade de 80 dias antes do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio, com os 80 dias subsequentes, descontando o mês de julho, em razão do recesso escolar. Depois do assassinato de Felipe e com a maior a presença de policiais no câmpus, os furtos de veículos caíram 90% (dois casos foram registrados, ante os 20 anteriores). Já roubos em geral passaram de 18 para 6; roubos de veículos caíram de 13 para 1; lesão corporal caiu de nove para dois casos e sequestro relâmpago de 8 para 1. Os dados estão em boletins de ocorrência registrados nas delegacias do entorno da Cidade Universitária.

O reitor admitiu que a iluminação na Cidade Universitária é ruim e afirmou que verifica quem vai implementar um projeto, já concluído, de lâmpadas de LED na USP. "Os atuais postes são velhos e as luzes muitas vezes ficam escondidas atrás da copa das árvores".

Perguntado sobre de onde despachava - afinal, seu gabinete está ocupado pelos manifestantes - Rodas desconversou. "Precisamos dançar conforme a música", disse. "Desde o ano passado, a reitoria e as pró-reitorias têm locais para trabalhar durante esses casos. A universidade não pode parar."

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