Reitor da USP critica família de banqueiro e diz que ação afasta doações

Para Rodas, modo 'jacobino' como família de Pedro Conde moveu processo contra Faculdade de Direito fez doadores debandarem

Carolina Stanisci, Estadão.edu

14 Abril 2011 | 21h31

A polêmica da colocação de placas com o nome de doadores na Faculdade de Direito do Largo São Francisco voltou à tona. Doador de R$ 1,07 milhão para a reforma de um auditório e banheiros da unidade, o advogado Pedro Conde Filho pediu à Justiça a devolução de R$ 1,1 milhão e indenização por danos morais porque o local não ganhou a denominação de Sala Pedro Conde, homenagem ao seu pai, fundador do BCN.

 

O reitor da USP, João Grandino Rodas, criticou o “modo jacobino” como a ação foi feita e disse que ela afugentou outros doadores. "Embora antológica, a reação da família Conde, ao acionar a universidade em que estudaram vários membros de sua família, certamente não se explica por necessidade monetária, por serem família de notória fortuna”, afirmou Rodas, por e-mail. “A explicação pela falta de fidalguia deve residir no modo acintoso e mesquinho de grupo da faculdade, que transformou uma tentativa de homenagem, em detrimento público e reiterado a ex-aluno que foi um dos fundadores do sistema bancário brasileiro.”

 

Rodas disse que na Faculdade de Direito a ação já impediu a realização de reformas em salas de aula do segundo andar do prédio. “Os doadores, cujos nomes constariam apenas de uma placa pequena de agradecimento, simplesmente debandaram.”

 

Conde Filho não quis falar com a reportagem, mas seu advogado, Vicente Ottoboni Neto, afirmou que o contrato de doação assinado em 2009 entre seu cliente e a Faculdade de Direito, então dirigida por Rodas, não foi cumprido. As obras foram entregues e a placa chegou a ser instalada. Depois, foi retirada após brigas internas intensas na unidade. 

 

Em reunião da congregação, instância máxima de poder da faculdade, o assunto foi votado duas vezes nos últimos dois anos. Primeiramente, os professores acataram portaria de Rodas. Da segunda vez, em maio do ano passado, um recurso movido por alunos fez com que a placa fosse retirada. 

 

“A faculdade não assumiu a obrigação de fim de dar ao auditório o nome de Pedro Conde, mas sim obrigação de meio – de apresentar tal proposta aos órgãos competentes, tendo tal obrigação sido cumprida”, alegou Rodas. Ele citou como base do seu argumento o item 2 da cláusula 2 do contrato, segundo a qual a donatária (faculdade) deverá encaminhar, dentro de 60 dias contados do término da obra, a presente doação para aprovação junto aos órgãos competentes da universidade.”

 

“Eles falam que contrato não teria validade, que não teria sido validado pelos órgãos superiores da USP, mas a portaria foi aprovada em 2009, e o recurso para retirá-lo só foi em 2010”, disse Ottoboni Neto. Segundo ele, a faculdade, por ter retirado as placas, teve “enriquecimento ilícito”. “O Conde confiou plenamente no diretor da faculdade que contrato seria levado a cabo. Ele procurou a faculdade inúmeras vezes para resolver isso no último ano.”

 

O atual diretor da faculdade, Antonio Magalhães Gomes Filho, disse que prefere se manifestar só após decisão judicial. “Reiterei agradecimentos a ele (pela reforma). Mas isso (retirada das placas) decorreu de uma tradição da faculdade.”

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