Reitor da UnB classifica de 'fascista' ocupação de prédio por alunos

Movimento, que já dura cinco dias, pede arquivamento do processo contra 8 estudantes que pularam catracas no ano passado

Jorge Macedo, O Estado de S. Paulo

09 Junho 2014 | 20h17

BRASÍLIA - O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo, classificou como fascista a ocupação da reitoria por um grupo de alunos. O movimento, que já dura cinco dias, pede o arquivamento do processo administrativo movido pela universidade contra oito alunos que participaram em fevereiro do ano passado do 'catracaço'. Na época, os jovens pularam a catraca do Restaurante Universitário (RU) por quatro dias e liberaram a entrada dos demais. O prejuízo, segundo cálculos da UnB, foi de R$ 29 mil.

Para Ivan Camargo, os estudantes que permanecem na reitoria devem ser responsabilizados pelos danos causados à UnB. "Seria confortável passar essa conta para a população, mas não farei isso. Quero que eles respondam por tudo isso. Eles destruíram o patrimônio público, devem arcar como adultos e ser responsabilizados. O que fizeram no restaurante e agora na reitoria é inaceitável. Além disso, as festas promovidas dentro do campus são um absurdo, nossos laboratórios aparecem quebrados, as salas depredadas", enfatizou.

Camargo lembrou que os servidores da universidade estão ameaçados de não receber os salários. "Não conseguimos rodar a folha de pagamento, que precisa sair essa semana. Espero que os invasores retomem a racionalidade e saiam de lá. Toda a estrutura administrativa está parada, estamos impedidos de trabalhar. As ações que eles tomaram são gravíssimas", afirmou.

Ocupação. Na última quinta-feira, 5, um grupo de alunos foi recebido pelo reitor para dialogar sobre reivindicações estudantis. Além da suspensão pelo 'catracaço', os universitários são contra punições a centros acadêmicos por conta de problemas ocorridos em happy hours promovidos dentro da UnB. Na última semana, uma festa no Instituto Central de Ciências (ICC), principal prédio da universidade, terminou em confusão e três tiros. Insatisfeitos com o resultado do encontro, cerca de 60 deles caminharam até a sala do reitor, quebraram a porta de vidro e tomaram conta do espaço.

Os funcionários foram impedidos de trabalhar por barricadas montadas na entrada do prédio. Divididos em comissões, os estudantes se revezam na vigilância do local. Apenas outros alunos, que apoiam a ocupação, são liberados para passar e ter acesso ao último andar do local, onde está a sala do reitor, utilizada para as assembleias dos universitários. Logo após o ato, a direção da UnB entrou com ação de reintegração de posse. Os ocupantes foram notificados na última sexta-feira, 6, que teriam 48 horas para deixar o local. A ordem não foi cumprida e a polícia tem permissão para retirar os alunos a qualquer momento.

Na tarde desta segunda, a prefeitura do câmpus cortou o fornecimento de água e energia elétrica do prédio por volta das 16h30, em uma tentativa de enfraquecer o movimento. Procurados para conversar, os estudantes limitaram-se a dizer que, após deliberação em assembleia com cerca de 150 pessoas, nenhum deles concederá entrevista e as informações sobre a ocupação serão fornecidas por meio de uma rede social.

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