Regras atuais do Fies incentivam quem tem dinheiro para curso

Custo real do curso poderia sair pela exata metade do que foi financiado, como revela simulação do 'Estadão Dados'

Rodrigo Burgarelli e Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

01 Março 2015 | 23h00

As atuais regras do Fies incentivam mesmo quem tem dinheiro para pagar a própria mensalidade em uma universidade particular a pegar o financiamento federal, por causa da baixa taxa de juros aplicada. O Estadão Dados fez uma simulação de como o Fies pode ser lucrativo para estudantes que teriam condição de pagar a mensalidade e, em vez de fazê-lo, decidissem investir o valor todo mês em títulos do Tesouro com rendimento anual de 12% e aderissem ao Fies. 

Nesse caso, ao fim de todo período de financiamento, o estudante que financiou uma mensalidade de R$ 645 (tíquete médio das mensalidades particulares hoje) teria economizado R$ 127 mil - já descontado todo o pagamento do financiamento. 

Para esse aluno, o custo real do curso poderia sair pela exata metade do que foi financiado . A outra metade do custo, portanto, seria totalmente bancada pelos recursos federais, entre o subsídio dos juros e o rendimento dos títulos do Tesouro. 

As próprias universidades entenderam isso e passaram a usar esse argumento para incentivar a adesão ao Fies. A Anhanguera (do grupo Kroton), por exemplo, diz em seu site que “se você colocar na poupança o dinheiro que iria usar para pagar a faculdade, você acaba tendo lucro”. A companhia ressaltou à reportagem que a “educação financeira” dos estudantes está inserida no contexto educacional.

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