Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Refugiados, machismo e crise são cobrados no primeiro dia do Enem

Prova foi bem elaborada e mais conteudista, segundo professores de colégios e cursinhos pré-vestibulares ouvidos pelo ‘Estado’

Isabela Palhares, Ludimila Honorato, Rafael Gonzaga e Willy Delvalle, Especiais para o Estado

05 Novembro 2016 | 21h47

SÃO PAULO - As questões do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) abordaram temas como crise econômica, refugiados, machismo, Estado Islâmico e até spray de pimenta. Professores ouvidos pelo Estado consideraram a prova bem elaborada, mais conteudista e com enunciados mais curtos do que os apresentados nos anos anteriores.

Em Ciências Humanas e suas Tecnologias, que abrange o conteúdo de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, foram priorizados temas transversais, como tolerância e direitos humanos. Os destaques foram as questões das duas últimas disciplinas, que podem deixar de ser obrigatórias no País com a reforma do ensino médio proposta pelo governo federal.

“É uma surpresa boa. A cobrança disso na prova é bem-vinda”, defendeu Daniela Mamede, coordenadora pedagógica do Colégio Poliedro. "A gente tem essas disciplinas na grade como oficiais (não optativas) e acredita na importância delas na contribuição para um senso crítico do aluno, na formação da cidadania.”

Filosofia exigia conhecimento mais profundo dos pensadores, embora tivesse menos questões em relação a anos anteriores, segundo Elias Feitosa, professor do Cursinho da Poli. Ele disse que a disciplina exigia não só leitura e interpretação, mas compreensão dos conceitos e linhas de pensamento. “O candidato que tivesse embasamento faria as questões, leitura superficial não serviria", disse.

Para o coordenador-geral do curso Etapa, Marcelo Dias, o exame deste ano está melhor. “É um vestibular de qualidade, que cobra conteúdo, habilidade de análise e interpretação e já se alia com Fuvest e Unicamp.”

Rafael Lancellote, professor de Sociologia do Cursinho da Poli, disse que Sociologia e Geografia dominaram Ciência Humanas. Segundo ele, a prova teve várias imagens, porém menos mapas em Geografia. “Parece que a questão visual ficou por conta de Sociologia”, afirmou.

A prova abordou os filósofos pré-socráticos e o sociólogo Émile Durkheim. “Foi a primeira vez que o Enem cobrou especificamente os pré-socráticos”, disse Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, de Campinas. O diretor de ensino do Anglo Vestibulares, Paulo Roberto Moraes, considerou Filosofia “extremamente difícil”. “Não era uma mera leitura de um texto.” Para ele, Sociologia foi mais fácil, com “textos clássicos e bem escolhidos”.

Tasinafo considerou a prova de Geografia mais interessante do que a de História. “Geografia trouxe temas mais atuais, como os refugiados. Em História, as questões foram meio batidas.”

Para Tainá Albuquerque, de 17 anos, a dificuldade foi igual a de outros anos porque fez muitos simulados. Ela gostou da prova de Ciências Humanas por tratar de assuntos atuais. “São temas que estão no nosso dia a dia, por isso é mais fácil de entender e saber resolver. Eu, por exemplo, leio muito sobre esses assuntos (racismo e xenofobia)”, disse a jovem.

Poucos cálculos. Em Ciências da Natureza e Suas Tecnologias, que abrange Química, Física e Biologia, a prova não exigiu muitos cálculos. “Em Física, esperava algo mais trabalhoso, com fórmulas”, disse o coordenador-geral do curso Etapa, Marcelo Dias. Em Química, explica, ocorreu o mesmo: pouca cobrança de cálculos. “Mas isso não significa que estava fácil.”

Uma das questões listou os efeitos colaterais do spray de pimenta nos olhos e citou os componentes do gás. Na resposta, os candidatos precisavam compreender a reação desses componentes com a água. “Esta eu sabia por experiência própria. Estava na praia uns meses atrás, os policiais usaram spray de pimenta e me atingiram”, contou o estudante Vitor Giacomazzi, de 17 anos, que quer fazer Ciências Atuárias.

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