Reforma apressa aposentadoria de professores da Unicamp

A proposta da reforma previdenciária provocou uma movimentação inédita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O número de pedidos de aposentadoria feitos por professores no primeiro semestre deste ano já é sete vezes maior que o de todo o ano passado. São 192 pedidos registrados até esta quarta-feira, segundo dados da universidade. Em 2002 inteiro, foram solicitadas 28 aposentadorias."Se a reforma previdenciária for mantida como está, será o fim das universidades públicas", disse o pró-reitor de Desenvolvimento da Unicamp, Paulo Eduardo Rodrigues da Silva.Na Unicamp, 421 professores estão em condições de se aposentar, quase 25% do quadro de 1,8 mil professores. Caso todos decidam se antecipar às reformas, a universidade não terá como fazer novas contratações de uma só vez, apontou Silva. Ele lembrou que o número de professores foi reduzido de 2,3 mil para 1,8 mil nos últimos dez anos, por falta de recursos. A vagas foram fechadas e os docentes que permaneceram acabaram assumindo mais encargos.Embora o quadro tenha sido reduzido, a Unicamp manteve-se como referência de ensino superior. O temor é que a reforma prejudique sensivelmente essa estrutura. De acordo com o pró-reitor, os principais atrativos da universidade para os docentes são a qualificação pessoal e a aposentadoria. Envelhecimento"Os professores ganham um salário inferior ao que receberiam se estivessem no mercado, mas têm a aposentadoria integral. Não interessa ao profissional trabalhar por um salário menor e depois ter uma aposentadoria igual à do mercado", disse Silva. Outra conseqüência da reforma pode ser o envelhecimento do quadro de professores, que irão preferir continuar trabalhando a se aposentar com salários inferiores."Teremos docentes jovens e inexperientes buscando qualificação por um curto período e os que continuarão na universidade porque não valerá a pena se aposentar. Enfim, não teremos as melhores cabeças, como é nosso objetivo", alegou o pró-reitor. De acordo com ele, a Unicamp tem se manifestado contra o texto atual da reforma por meio de moções e de solicitações de emendas feitas aos parlamentares. Silva comentou que a universidade propõe que a transição do atual modelo "seja mais suave", aplicada proporcionalmente ao período de trabalho de cada funcionário público. "Do jeito que está, penaliza o setor público. Institutos de pesquisas de grande importância como a Embrapa, que revolucionou a agricultura no Brasil, serão esvaziados", argumentou.Para o economista e professor da Unicamp Wilson Cano, a reforma seria desnecessária se o governo organizasse melhor o sistema previdenciário e investisse a contribuição em fundos de resgate a longo prazo.

Agencia Estado,

11 de junho de 2003 | 18h39

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