PAULO LIEBERT|ESTADÃO
PAULO LIEBERT|ESTADÃO

Rede estadual de SP tem piora geral em avaliação de Matemática

Desempenho na disciplina caiu no ensino fundamental e médio; em Português, o 9º ano também registrou piora no aprendizado

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2017 | 15h37
Atualizado 02 Fevereiro 2017 | 23h23

SÃO PAULO - O desempenho da rede estadual de São Paulo em Matemática caiu nos três ciclos de ensino (fundamentais 1 e 2 e médio) em 2016. Em nenhum deles, consegue-se alcançar a nota considerada adequada para a etapa. Em Português, o 9.º ano do fundamental registrou queda e houve melhora de desempenho no 5.º ano e no 3.º ano do médio na disciplina. E apenas o 5.º ano conseguiu superar a nota considerada adequada. 

Os dados são da última edição do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo (Saresp), avaliação feita pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) e aplicada anualmente em todas as escolas. A nota de Matemática do 5.º ano foi 222,4; no ano anterior tinha sido de 223,6. O adequado, segundo a própria Secretaria Estadual de Educação, seria 225. 

Alunos do 5.º ano com menos de 225 pontos têm dificuldades, por exemplo, de resolver problemas que envolvem operações com números decimais em situações de compra e venda. Ou identificar a posição de um número decimal (com duas casas) na reta numérica. 

A maior queda nessa disciplina foi registrada no 9.º ano, que a nota passou de 255,2 para 251 – o adequado é 300. Já no 3.º ano do ensino médio, a nota de Matemática passou de 280,9 para 278,1 – o desempenho considerado adequado é 350. O aluno com nota inferior enfrenta dificuldades para resolver problemas com relações métricas ou progressões geométricas. 

Para Valéria de Souza, coordenadora de Gestão da Educação Básica da pasta, os dados demonstram que a disciplina de Matemática é a que exige mais investimentos. “Temos de atuar em duas frentes: formação de professores e encontrar metodologias que sejam mais eficazes e atraentes ao aluno.”

Idesp. O Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) – que combina as notas do Saresp com as taxas de aprovação, reprovação e abandono escolar – teve queda apenas no 9.º ano. Com escala de 0 a 10, o índice para o 9.º ano, após dois anos consecutivos de aumento, foi de 2,93 – no ano anterior havia sido de 3,06. 

O Idesp cresceu no 5.º ano, que teve nota de 5,4 – desde 2008, a série só registra crescimento. E também houve melhora no 3.º ano do médio, com índice de 2,3, ante 2,25 em 2015. Mas, em todas as etapas de ensino o índice segue longe da meta do próprio governo para 2030. 

“No 5.º ano, conseguimos consolidar o avanço, nos preocupamos com o ensino médio e conseguimos melhorar. Mas, agora nossa atenção precisa se voltar para o fundamental 2 (do 6.º ao 9.º ano), que não consegue avançar”, diz Valéria. 

Sem festa. Para Ocimar Alavarse, da Universidade de São Paulo (USP), a melhora no ensino médio não pode ser comemorada. “Os alunos não alcançam nem o que seria o adequado para o 9.º. Não temos política consistente, com resultados. Só oscilações que não podem ser interpretadas como melhorias.” 

A consultora em educação Ilona Becskehazy também critica. “É uma vergonha porque essas avaliações de larga escala têm critérios medíocres e, mesmo assim, estamos longe de alcançá-los. Mesmo no Estado mais rico não há evolução nem indícios de mudança substancial.” Além de avaliar o desempenho da rede, o Idesp é usado como critério para pagar bônus a professores e funcionários de escolas que alcançaram as metas fixadas para cada unidade. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.