Recuperação não precisa ser estigma para aluno

Em artigo, professora da Unicamp lembra que recuperar nota é diferente de recuperar o aprendizado

Angela Soligo, ESPECIAL PARA O ESTADO

22 Novembro 2015 | 23h00

A recuperação não precisa ser um estigma para o aluno. Isso vai depender da forma como a escola trata esse assunto. Todo aluno tem alguma dificuldade, alguns mais e outros menos. 

Se você consegue passar essa ideia para o aluno, a recuperação contínua é muito positiva porque quando se deixa para recuperar no final do ano é muito mais difícil e artificial. Recuperar nota é diferente de recuperar o aprendizado, por isso, é importante que as pendências sejam trabalhadas assim que elas aparecem. 

A maioria dos alunos têm dificuldade em português e matemática e isso pode estar relacionado com a forma com que essas disciplinas são apresentadas a eles. Nossa língua, o português, é muito rica e diversa e por isso tem uma complexidade natural. O ensino tende a focar muito na gramática e pouco na leitura e escrita, que é o que pode atrair os alunos.

Na matemática, o ensino costuma ser de forma mecânica. A metodologia é que o aluno deve aprender e pronto, sem que ele entenda a sua aplicação no conteúdo. Por isso, muita gente acaba desenvolvendo uma aversão à disciplina. 

O importante é que a recuperação seja vista como um processo e não como um fim, em si. Por muito tempo, a reprovação era usada mais como uma arma de disciplinar os alunos, do que como uma chance de aprendizado. Isso mudou, mas de forma muito radical, porque hoje se entende que todos tem que ser aprovados. 

O objetivo da escola é aprender, por isso, nem sempre a reprovação tem que ser vista de forma ruim. Às vezes, o aluno precisa de mais tempo para aprender e isso precisa ser compreendido pelos educadores e pais.

* ANGELA SOLIGO É PROFESSORA DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)

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