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Professor teme 'especialização das escolas' após reforma do ensino médio

'Talvez a qualidade da oferta piore', diz Sergio Firpo sobre rede particular após mudanças no ensino médio

Entrevista com

Sérgio Firpo, professor da Cátedra Instituto Unibanco Insper

Luciana Alvares, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2016 | 07h00

Sérgio Firpo, professor da Cátedra Instituto Unibanco Insper, lembra que o sucesso de um modelo educacional se encontra nos detalhes, como saber o que fazer com o tempo extra dos alunos e também como abordar os conteúdos das trilhas.

O modelo atual é de fato ruim? 

É um modelo pouco estimulante, que mata o interesse dos jovens com o tempo, pois tem pouca intersecção com a vida cotidiana. Isso afasta o estudante da escola. Essa questão é agravada pelo aspecto da renda e do background familiar. Se você tem em casa exemplos positivos de pessoas que completaram os estudos, por mais desinteressante que seja, a chance é que o jovem siga em frente, encare como um pedágio a ser pago. Sem esse exemplo próximo, há mais risco de abandono da escola.

As trilhas devem ajudar? 

Elas podem sim ser capazes de fazer a escola atrair os interesses dos alunos. Há diferentes modelos no mundo: em alguns, desde muito cedo, na segunda etapa do fundamental, os estudantes vão sendo encaminhados por trilhas. Mas elas não são impeditivos. O estudante pode começar por uma e trocar por outra. A especialização mais cedo tem um risco se for uma especialização muito técnica. Quando se tem um conhecimento específico, você fica autoconfiante, logo sabe tudo do assunto e não sente a necessidade de continuar estudando. Mas tem um ganho: aqueles alunos que de fato fazem o que gostam vão ser melhores porque desde cedo já estão imersos na área de interesse. 

Eles têm maturidade para escolher? 

A gente aqui tem de enfatizar que todos vão ser expostos a conteúdos mínimos, que dependem da Base Nacional Comum Curricular (ainda sendo elaborada). A trilha é o diferente. Hoje é comum escolas particulares que cumprem os mesmos conteúdos, mas algumas orientam mais para faculdades, outras são mais humanistas, outras mais técnicas. Mas não significa que alguma delas não ofereça Matemática.

Como essa mudança no ensino afeta a rede particular?

Talvez a qualidade da oferta piore. Atualmente todas costumam oferecer laboratórios de Química, de Física. Meu receio é que, com essa opção, as escolas acabem se especializando, o que é um risco. O resultado vai depender de uma boa visão da gestão escolar, de que é importante que alunos tenham acesso a tudo, e de alguma pressão dos pais.

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