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Realização pessoal deve guiar escolha de carreira, diz especialista

Resistir a pressões familiares também é um desafio para os jovens

Maria da Luz Calegari, Orientadora vocacional e autora do livro Temperamento e Carreira

22 Abril 2014 | 11h19

A escolha da futura profissão é um dos momentos mais sérios na vida de uma pessoa. Infelizmente, a decisão precisa ser tomada cedo, num momento em que o cérebro do adolescente passa por grandes transformações. São raros os jovens que chegam a essa fase certos do que querem ‘ser na vida’. Por isso, grande parte nem sempre acerta na escolha.

Uma das maiores dificuldades, que costumam apresentar, é não conseguir resistir às pressões familiares. Tive oportunidade de fazer aconselhamento a jovens que já estavam no segundo ou terceiro ano da faculdade, todos encaminhados por seus terapeutas, pois se diziam ‘perdidos’ e, ao mesmo tempo, incapazes de comunicar ao pai – que era empresário e queria que o filho continuasse seu negócio – que a carreira escolhida estava em desacordo com seu perfil psicológico, interesses e talentos.

Por isso, afirmo que o primeiro passo para escolher acertadamente é o autoconhecimento. Este pode ser fornecido por um bom indicador de perfil, geralmente aplicado por um profissional da área ou pela reflexão. O jovem deve se perguntar: ‘em que eu sou bom? E, mesmo sendo bom, é isso que quero fazer pelo resto da existência?. Essa carreira atende ao meu propósito de vida? O que eu valorizo: autorrealização, fama, prestígio, poder, dinheiro?’

Nem sempre a carreira que conduz à autorrealização caminha paralelamente à valorização social ou ao retorno financeiro. O estudante fica, então, em uma encruzilhada. Ele costuma se perguntar: ‘vou para um curso que me trará prazer intelectual e autovalorização ou escolho outro, que não terei dificuldade em acompanhar e me trará maior recompensa social e financeira? Geralmente, a primeira escolha é melhor. Por quê? Porque, ao longo do tempo, as profissões mudam, se transformam, evoluem, se desdobram em outras e, muitas vezes, uma profissão que não era valorizada, anos depois se torna uma carreira com grande visibilidade e valor no mercado, enquanto outras desaparecem.

Outros aspectos, que ajudam no momento da escolha, incluem um aconselhamento vocacional, conversas com profissionais da área de interesse, análise da grade curricular do curso (às vezes, as grades contemplam disciplinas que são de difícil compreensão e assimilação pelo aluno), custos envolvidos desde o ingresso até a formatura. Ler jornais que publicam matérias sobre profissões também é um recurso interessante.

Finalmente, quero acrescentar que a vocação e os talentos estão relacionados ao temperamento de uma pessoa. Existem quatro temperamentos universais. No Brasil, o temperamento predominante na população encaminha as pessoas, naturalmente, para áreas técnicas e empreendedorismo. Portanto, a universidade não deve ser o anelo de todo estudante.

Há uma infinidade de cursos e carreiras que requerem habilidades corporais (uso virtuoso de partes do corpo, como as mãos e pés, por exemplo), cinestésicas (artes finas, dança) e linguísticas (comunicação e entretenimento), oferecidos por escolas técnicas. Por outro lado, o empreendedorismo está em alta. Não somente em nichos relacionados com informática e eletrônica, mas também no comércio de bens consumíveis e em ofícios (serviços), que exigem habilidades específicas.

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