MASAO GOTO FILHO/ESTADÃO
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Química e Atualidades foram os desafios da Fuvest, dizem professores

'O aluno que fazia a prova de Química em 20 minutos, neste ano fez em 50', diz professor; para diretor de cursinho, avaliação ficou entre médio e difícil

Luiz Fernando Toledo, Rene Moreira - Especial para o Estado, Fabiana Cambricoli e Victor Vieiria, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2016 | 20h33

SÃO PAULO - A prova de Química foi considerada uma das mais difíceis da 1ª fase da Fuvest, exame de ingresso para a Universidade de Sâo Paulo (USP) realizado neste domingo, 27. Em humanas, mais trabalhosa que em outros anos, alunos encontraram textos mais longos e até "pegadinhas".

“A prova estava um tanto complicada, o nível é elevado. Mas química foi a mais elaborada e também mais difícil”, disse ao sair da sala Mariana Melo, de 17 anos, sobre as 90 questões de múltipla escolha aplicadas neste domingo, 27. Ela presta Fuvest pela primeira vez e tenta uma vaga no curso de Psicologia. “Não achei a prova difícil. Apenas as questões de química estavam quase impossíveis de responder”, concorda Alana Caparroz, de 16 anos, treineira que fez a prova como preparação. "Espero no ano que vem estar pronta para entrar na universidade", completou. 

O professor de Química do Cursinho da Poli Fábio Bueno diz que o aluno levou mais que o dobro do tempo para resolver Química. “Foi a prova mais difícil de ciências exatas. Geralmente há um equilíbrio entre questões conceituais ou analíticas que usam cálculos. Esse ano houve u mexagero dentro dos cálculos das analíticas”, disse.

Em Matemática, o grau de dificuldade se manteve. “Não fugiu muito do padrão e os conteúdos eram os de sempre, como geometria espacial, analítica, logaritmo, geometria plana e área. Algumas questões envolviam mais de um conteúdo ao mesmo  tempo. Pode-se dizer que está na média da Fuvest”, disse o professor de Matemática do Cursinho da Poli Alessandro Menezes.

As questões de ciencias humanas foram consideradas trabalhosas, por causa do tamanho dos textos. “Parecia um pouco pegadinha, porque você lia o texto e o que a questão pedia não estava necessariamente relacionado ao que estava naquele trecho”, diz Gabriel Lourenço, de 21 anos, que tenta uma vaga no curso de Farmácia-Bioquímica. "Deu mais trabalho. Havia muitos textos, tabelas e imagens. É uma prova muito boa no conjunto, mas neste ano em particular, por causa dos textos maiores, os alunos tiveram mais dificuldade em humanas", disse o coordenador do cursinho Etapa Marcelo Dias. 

Atualidades. A prova trouxe como temas a crise dos refugiados, com a embelmática foto do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, encontrado morto no ano passado em uma praia da Turquia após se afogar durante a tentativa de travessia para a Grécia. Também cobrou questões de meio ambiente e sustentabilidade, como a despoluição da Baía de Guanabara, no Rio, enchentes em Paris, desmatamento na Amazônia e o acordo do clima da COP-21. “É uma prova muito bem feita e bastante atual”, ressaltou Dias. 

Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, acredita que a prova teve "um pé maior na atualidade" neste ano, ao mesclar temas clássicos com o noticiário recente.

De médio a difícil. Para o diretor de ensino do cursinho Anglo Paulo Moraes, a prova ficou de médio a difícil. "Quem não tem base na matéria não respondeu. O aluno tinha que saber conceitos", disse. "A única que parece  ter sido mais fácil é de Biologia". O especialista elogiou a avaliação, que considerou "atual e bem contextualidada, com várias perguntas de Geografia e História falando do Brasil". "Não teve nenhuma surpresa e o conteúdo programático foi varrido, passaram por todo o conteúdo proposto".

 

 

 

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