Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Enem 2019: Questões falam sobre agrotóxicos, importância das vacinas e matemática do Tinder

Candidatos fizeram neste domingo, 10, as provas de Matemática e Ciências da Natureza; 'Estado' faz correção ao vivo a partir das 20h15

Isabela Palhares, Luísa Laval, Mariana Hallal, Tulio Kruse, André Marinho e Bárbara Rubira, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 15h52
Atualizado 11 de novembro de 2019 | 11h06

SÃO PAULO - O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) trouxe questões que abordaram alternativas ao uso de agrotóxicos na produção de alimentos, a importância da vacinação para combater doenças e aspectos de geometria relacionadas ao aplicativo Tinder. Neste domingo, 10, os candidatos fazem as provas de duas áreas do conhecimento, com 90 questões de Matemática e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias. 

Biologia

Rubens Oda, professor de Biologia do cursinho Descomplica, diz que a prova seguiu a tendência dos últimos anos com questões mais conteudistas. Para ele, os candidatos podem ter dificuldade em resolver todas as questões dentro das 5 horas de exame.

"Como vem sendo nas últimas edições, a prova está ficando cada vez mais exigente, cobrando bastante conteúdo. Não é mais um exame que se resolve só com interpretação." 

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Em Biologia, por exemplo, caíram questões sobre ecologia, doenças e genética. Segundo Oda, uma das questões pedia ao candidato para indicar uma opção de controle biológico para pragas na agricultura em alternativa ao uso de agrotóxicos.  Outra questão falava das vantagens do uso de vacina contra o agente causador da esquistossomose.

Para o professor de Biologia Luiz Rafael Silva, a prova estava mais voltada para ecologia, mais do que nos outros anos. Segundo Luiz, apesar de “conteudista”, a avaliação não continha conceitos densos. “Se o aluno tem os conceitos básicos de Biologia, ele consegue resolver”, diz. “Estava leve como sempre, para quebrar o peso das outras matérias. Ela sempre compensa o peso”, avalia.

Brunna Coelho, professor de Biologia do COC, destacou duas questões da prova como sendo as mais exigentes, uma de genética e outra de citologia. Ela também disse que a prova deste ano estava mais conceitual que em outras edições. Entre as questões que chamaram mais a atenção da professora pela atualidade, estão sucessão e relação ecológica, imunologia e descarte apropriado de medicamentos.

Física

Para Leandro Gomes, professor de Física do cursinho Descomplica, a prova trouxe questões complexas e com conteúdos pouco cobrados em anos anteriores, o que pode ter surpreendido alguns candidatos, como perguntas que abordaram decomposição de forças e os fluxos de calor. “Pela leitura, o aluno sabia como resolver a questão sem usar fórmulas específicas”, considera.

Ele destaca também questões que trouxeram temas cobrados com frequência.“Mais uma vez o Enem trouxe a questão do Daltonismo”, aponta. Ondulatória também esteve presente com perguntas que trouxeram refração e reflexão.

Mantendo a tendência, o exame também trouxe enunciados que abordavam situações do cotidiano. Como uma questão de Física que falava do risco de fios de alta tensão em cercas de proteção de fazendas. 

Paulo Bisquolo, professor de Física do COC, comenta que a prova seguiu a tradição de cobrar interpretação dos enunciados, mas dessa vez com textos mais curtos. Ele diz que a maioria das questões da área cobravam conceitos de mecânica. 

Uma novidade foi a lei da condução térmica, conhecida como lei de Fourier, assunto que há muito tempo não aparecia no exame. Segundo Bisquolo, era possível inferir a fórmula para resolver a questão utilizando as informações do enunciado. “O candidato bem preparado e com boa interpretação de textos deve ir bem”, afirma.

Química

Nas questões de Química também se manteve o padrão de cobrança dos últimos anos, com questões sobre pilhas, reações químicas e química ambiental. “As questões foram bastante interpretativas, porém com bastante conteúdo abordado. Não houve nenhum tema que chamasse muita atenção, foram questões mais previsíveis”, disse Marcus Aurélio Souza, professor de Química do COC. 

Allan Rodrigues, professor de Química do Descomplica, disse que as questões da disciplina tinham resolução mais simples do que em anos anteriores porque a maioria não exigia que o candidato fizesse cálculos - em apenas dois itens foi necessário fazer contas. 

Ele comenta que a prova trouxe temas clássicos, como eletroquímica, termoquímica e polímeros. A novidade ficou por conta de uma questão envolvendo modelos atômicos. Segundo Rodrigues, o assunto não aparece no Enem há pelo menos dez anos. A prova trouxe ainda uma questão envolvendo meio ambiente, que falava de tratamento de esgoto.

Matemática

Felipe Pinheiro, professor de Matemática do colégio COC, disse que a prova trouxe conteúdos mais exigentes que em anos anteriores, com duas questões sobre logaritmo.  Ele destacou que as perguntas estavam diretas, deixando mais tempo ao aluno para a resolução.

"A contextualização dos exercícios não foi muito grande. Havia muitos textos para embasar os exercícios, com comandos mais assertivos, levando o aluno ao cálculo."

Na prova de Matemática, uma questão perguntava sobre a probabilidade de "match" com o aplicativo Tinder, de acordo com a área em que o usuário está.  A pergunta separava usuários por regiões, cada um com um raio de alcance determinado. O candidato precisava calcular a intersecção entre essas áreas ocupadas pelos usuários para descobrir a chances de combinações — ou match — entre eles. “Achei a abordagem dessa questão muito interessante e atual”, comenta Luanna Ramos, professora do Descomplica.

Na avaliação da professora, a maioria das questões exigiram cálculos simples e a interpretação do enunciado não era complexa.  Quanto aos assuntos abordados, a professora fala que não houve surpresas. Foram cobrados conhecimentos de probabilidade, análise combinatória, logarítmo, estatística, porcentagem e proporcionalidade. Muitos exercícios puderam ser resolvidos por meio da regra de três.

Professor de matemática, o gerente de inteligência educacional do Poliedro, Fernando da Espiritu Santo, diz ter se surpreendido com a presença de duas questões sobre logaritmo, tema que, em alguns anos, nem aparece na prova. "Uma delas estava mais simples, mas a outra dependia do aluno ter um pouco mais de experiência na área para resolver", explica. 

Na avaliação de Espiritu Santo, de forma geral, o Enem se firma como um exame de caráter conteúdista. "Para realizá-la, os alunos terão que ter uma estratégia. Dificilmente terão tempo de concluir toda a prova e de revisá-la. Eu mesmo tive que deixar uma questão para o final", revela.

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A impressão dos estudantes foi de que as perguntas na área de Ciências da Natureza priorizaram questões de Química, em relação à área de Biologia. Entre as perguntas estavam equações de balanceamento molecular.

"Eu esperava mais questões de análise combinatória, que é o que sempre cai no Enem, mas quase não teve", diz a aluna Maria Fernanda Flórida, de 17 anos. Ela se refere a perguntas que pedem ao aluno para calcular números de uma sequência.

Segundo ela, houve apenas uma questão desse gênero, e muitas perguntas de Geometria e Probabilidade na prova de Matemática. Outra surpresa para ela foi na prova de Química, que, segundo ela, teve apenas uma pergunta da área de Entalpia. "A prova não estava difícil", ela diz.

"A parte de Física foi a mais difícil, porque tinha algumas questões em que precisava saber as fórmulas", diz a aluna Carolina Tegeda, de 17 anos, que quer estudar Ciências Sociais na faculdade. Ela costuma ter mais domínio na área de Humanas, mas nem por isso acha que a prova do domingo anterior foi mais fácil. "Eu acho inclusive que a prova da semana passada estava mais difícil do que essa de hoje, mas (Humanas) é um assunto que eu tenho mais domínio. A prova de hoje não foi difícil."

A estudante Isabela Pires, de 18 anos, prestou o Enem pela segunda vez, em Belo Horizonte. A candidata fez pedido por provas especiais, por ter déficit de atenção. "O que tive mais dificuldade hoje foi matemática. Mas, no geral, acho que fui bem. Caiu tudo o que estudei na escola", afirma Isabela, que cursa o terceiro ano do ensino médio.

A estudante diz acreditar ter ido bem também nas provas do domingo passado. "Levei o rascunho para os professores conferirem e tirei em torno de 870 em mil na redação", antecipou-se. Isabela pretende entrar no curso de publicidade e propaganda.

Ao pedir exame especial, o candidato deve comprovar o diagnóstico que justifique o pedido com laudo. Fazem o exame nesta categoria candidatos que apresentam, por exemplo, déficit de atenção, discalculia, baixa visão e surdocegueira. Ao solicitarem o exame especial, alunos têm direito, dependendo do diagnóstico, a auxílio de transcritores.

Correção 

Veja a correção do segundo dia de provas do Enem realizada por professores do Objetivo:

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