'Queremos mudar estado atual de coisas na USP', diz diretor reeleito para o DCE

Chapa Não Vou Me Adaptar recebeu mais da metade dos 13 mil votos e toma posse em abril

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

31 Março 2012 | 07h50

SÃO PAULO - A chapa Não Vou Me Adaptar, reeleita neste sábado, 31, para comandar o DCE da USP, promete fortalecer a mobilização dos alunos nos cursos e ao mesmo tempo organizar "fóruns públicos" de discussão dos rumos do movimento estudantil. O grupo toma posse daqui a 15 dias. Leia trechos da entrevista com o estudante de Ciências Sociais e diretor reeleito Pedro Serrano, de 20 anos:

A que você atribui esta vitória?

Desde o ano passado tem crescido o sentimento, entre os estudantes, de democratizar a USP em função da gestão truculenta do reitor João Grandino Rodas. Agora o conjunto dos alunos se reuniu e deu uma resposta ao reitor. Um sinal disso é o número recorde de eleitores, mais de 13 mil.

Por que você acha que mais gente se interessou por votar este ano?

O processo de mobilização iniciado no ano passado fez com que mais gente se interessasse por política. O movimento estudantil é a alternativa para a participação efetiva dos alunos na gestão da universidade. A democracia que eles não encontram na USP eles encontram no movimento.

Em algum momento vocês tiveram medo de perder essas eleições?

Frente ao cenário de ter só uma chapa com pensamento conservador (a Reação), nos esforçamos para unificar o movimento antes da campanha. Depois que as chapas foram formadas a gente sabia que teria mais chances de ganhar. Além disso, a Não Vou Me Adaptar é bem representativa. Estamos em toda os cursos da capital e do interior.

Haverá diferenças entre a nova gestão e a antiga?

Temos a possibilidade ainda maior de ampliar o movimento e mobilizar os alunos. Recebemos agora mais de 6 mil votos, e nas eleições passadas a Todas as Vozes teve cerca de 4 mil votos.

Quais são os desafios imediatos da nova gestão?

Em 2012 entrou toda uma nova geração de calouros muito interessada no debate. Os mais antigos, que já estavam na universidade no ano passado, também se envolveram bastante. Nossa tarefa é dar a esses estudantes a possibilidade de se mobilizar para mudar o estado atual de coisas na USP, por isso o nosso nome.

De que maneira vocês pretendem fazer isso?

É muito importante fortalecer o movimento nos cursos. A mobilização para derrotar a gestão truculenta da USP tem de nascer da base, dos cursos, e também das assembleias e dos conselhos de centros acadêmicos.

Vocês ganharam as eleições na semana em que três ex-coronéis da PM assumiram a Guarda Universitária da USP. O que vocês acham disso?

Há tempos nós defendemos um plano alternativo de segurança, com ampliação do efetivo da guarda e contratação de mais mulheres, para acabar com os relatos de constrangimentos. Com mais guardas no câmpus, eles deixariam de cuidar só do patrimônio e ofereceriam segurança de fato aos estudantes. Mas Rodas respondeu justamente com o contrário. E ainda colocou um coronel da PM para cuidar da guarda. E tem outra coisa: a denúncia de que policiais da região recebem suborno de traficantes deixa o convênio entre PM e USP totalmente sem credibilidade. O mínimo que Rodas deveria fazer neste momento é suspender o convênio.

Como incluir quem votou em outras chapas na mobilização estudantil?

Vamos construir fóruns públicos, assembleias, para que todos tenham voz no movimento. Queremos tocar o movimento estudantil como o movimento de todos os estudantes.

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