Divulgação/FIA
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Quer fazer um MBA mas não tem dinheiro? 

Veja opções para financiar o curso

Luciana Alvarez, ESPECIAL PARA O ESTADO

11 Dezembro 2016 | 03h00

Camila Miki Osani tinha uma certeza: havia chegado a hora de fazer um MBA. “Já tenho 29 anos, estou formada desde 2011. Por questões de mercado, percebi que tinha de fazer um MBA.” Sua dúvida era se seria capaz de pagar o valor total do curso, mesmo que dividido em mensalidades. “É um custo alto, que não cabia no orçamento. Mas achava que era melhor estudar, conhecer mais, do que ficar parada esperando um certo momento em que fosse ter o dinheiro.”

Para ela, a solução veio da própria instituição de ensino, graças a uma espécie de financiamento - ainda que não seja chamado assim. Seu curso de 18 meses na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) foi parcelado em 36 vezes, o que derrubou o valor mensal para quase metade. “Já estou aplicando o que aprendo, é algo que agrega à minha área de atuação, que é marketing digital. Isso abre muitas portas. Se conseguir uma promoção, quito o curso antes”, diz a aluna do MBA em Ciências do Consumo Aplicadas. 

Embora a dificuldade de pagar cursos extensos de pós-graduação seja comum a vários profissionais, escolas de negócios que oferecem bolsas, ajuda financeira ou financiamento ainda são exceção no Brasil. “Muitas vezes a pessoa quer estudar. No entanto, não tem dinheiro. Em muitas situações, ela se vê obrigada a esperar. Mas é comum a dificuldade em economizar; é algo que exige uma disciplina que nem todos têm”, afirma Guy Cliquet, coordenador da pós-graduação lato sensu do Insper.

Assim como a ESPM, o Insper também permite que o aluno divida o valor em prestações mais suaves - lá, o MBA pode ser parcelado em até 31 vezes. “O Insper tinha a intenção de usar linhas de bancos, mas esse é um crédito muito caro. Então a própria instituição se organizou para dar essa espécie de financiamento.” 

Segundo Cliquet, mais de 50% dos alunos usam a opção de estender o parcelamento. Até hoje, a prática tem se mostrado vantajosa para alunos e escola. “Claro que depende do seu público-alvo, mas na prática a nossa taxa de inadimplência é baixíssima. É um crédito seguro de se conceder.”

Crédito bancário. Alguns bancos também têm ofertas de crédito específicas. No Bradesco, o CDC MBA e Pós-Graduação financia até 70% do curso (valor máximo de R$ 40 mil), com o prazo de 48 meses. As taxas de juros ao mês giram em torno de 1,20%, podendo chegar à zero, em instituições de ensino conveniadas. No Santander, o financiamento chega a 100% do curso, possível apenas em instituições conveniadas - valor mínimo de R$ 1 mil. A taxa é de 2,39% ao mês, com até 36 meses para pagar. Há ainda a opção de um crédito extra, de R$ 2 mil, voltado à compra de material de estudo. 

Ainda que seja necessário pedir crédito bancário ou apertar as contas pessoais, o coordenador do Insper recomenda investir nos estudos. “Se você precisa se desenvolver, não dá para deixar para depois. O mercado é competitivo, depois o tempo passa e outras pessoas tomam o seu lugar.” 

Auxílio no exterior. Fora do País, os MBAs costumam ser programas de mestrado como os nossos stricto sensu, que conferem diploma e título de mestre. Em geral duram dois anos, com aulas diárias. Outra característica marcante: eles são caros. Os preços giram em torno de US$ 50 mil a US$ 60 mil ao ano. E, para completar, o aluno dificilmente consegue trabalhar, então precisa de recursos para se manter, além de pagar as taxas do curso em si. Em compensação, é muito mais fácil conseguir bolsas e financiamentos no exterior. “As melhores escolas, aquelas que são top 30 nos rankings, têm muitas opções de ajuda financeira”, diz Daiana Stolf, sócia da consultoria TopMBA.

Outra opção usada com frequência, seja por estudantes estrangeiros, seja pelos nativos, é o empréstimo com bancos conveniados. Ao ser aceito por uma escola de destaque, o processo de aprovação de crédito é facilitado, muitos bancos nem sequer exigem fiador. “Os bancos sabem que quem está fazendo um MBA de alto nível vai ter um salário alto depois. Os prazos para quitação podem ser de 20 ou 25 anos, com taxas de juros em torno de 6% a 7% ao ano.”

Há ainda a possibilidade de se conseguir bolsas com instituições externas, como a Prodigy Finance, uma plataforma internacional mantida por ex-alunos, e algumas fundações brasileiras de apoio, como o Estuda e Instituto Ling. De qualquer forma, o primeiro passo é sempre ter sido aceito na escola de negócios.

Para o engenheiro Arthur Gazzalle, de 34 anos, o MBA em Rotman (Universidade de Toronto, Canadá) foi pago integralmente com recursos próprios. “Vendi tudo: apartamento, carro, guitarra. Além de pagar o curso, deu para viver dois anos sem renda”, conta ele, que desejava tanto a excelência acadêmica de um programa mundialmente reconhecido como a experiência no exterior. “Fazer isso é, sim, um risco, mas você entra na perspectiva de uma carreira - e uma vida - melhor.” Para Gazzalle, a aposta deu certo: ele acabou o curso em março, conseguiu emprego e visto de residência permanente no país. “Teria também boa colocação se desejasse voltar ao Brasil, mas minha mulher e eu preferimos ficar.”

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