Quem quer medalha?

Olimpíadas universitárias e escolares podem ser o caminho para o pódio na Rio 2016

Diana Dantas, Especial para O Estado de S. Paulo,

27 Outubro 2009 | 00h51

Ok, o Rio ganhou a batalha com cidades como Chicago e Madri para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Mas quem vai ganhar as medalhas? Especialistas são unânimes em apontar a saída: o estímulo a jovens atletas. Hoje o melhor instrumento para isso são as Olimpíadas Estudantis. Sucesso esportivo e educação podem andar de mãos dadas, aproximando o Brasil do bem-sucedido modelo americano. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) criou as competições em 2005, pouco antes dos Jogos Pan-Americanos. Elas se dividem em Olimpíadas Escolares – que têm duas faixas etárias, de 12 e 14 anos e de 15 a 17 – e Universitárias. As competições são realizadas todo ano e abertas para instituições públicas e privadas de todo o País. Em novembro, por exemplo, mais de 4.600 pessoas, entre equipe técnica e delegações, são esperadas em Londrina, na próxima edição dos jogos do ensino médio. De olho em 2016, o COB quer aumentar o número de participantes em 10% a cada edição. "É uma reação em cadeia. Com mais gente participando das etapas regionais (que servem de seletivas para as nacionais), um leque maior de possibilidades se abre. Vão surgir mais atletas e certamente vários deles estarão competindo pelo Brasil na Rio 2016", afirma o diretor-geral das Olimpíadas Estudantis, Edgar Hubner. Na competição universitária participam desde atletas que sonham com os Jogos Olímpicos até quem já passou por eles. A nadadora Flávia Borges, de 18 anos, faz parte do primeiro grupo. Aluna de Educação Física da Universidade Católica Dom Bosco, no Paraná, ela ganhou o ouro nos 100 metros livres, com o tempo de 58s04, nos jogos realizados em agosto, em Fortaleza. O curioso é que a nadadora competiu doente, com dores de ouvido e de cabeça.  Flávia treina desde os 9 anos e já mudou três vezes de cidade para conseguir competir. Hoje está no Clube Curitibano e já bateu dois recordes: o brasileiro júnior, com 57s70, e o sul-americano, com 57s19. Embora já esteja a caminho de uma carreira internacional, Flávia sabe que ainda tem muito chão – ou melhor, muita água – pela frente antes de chegar a uma Olimpíada. "É necessário pisar em um degrau de cada vez. Mas estar lá, no meio de todos aqueles atletas, já é um sonho. Depois, a gente sempre quer um pouco mais, quem sabe uma posição entre os dez?" O campeão da prova de 110 m com barreiras em Fortaleza, Mateus Inocêncio, de 28 anos, é veterano. Foi a duas Olimpíadas. Em Atenas garantiu o 7º lugar. E participou do "Bananas Congeladas", primeiro time brasileiro de bobsled (tipo de trenó, que chega a 140 quilômetros por hora) a disputar uma Olimpíada de Inverno, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.  Aluno de Educação Física da Universidade Paulista (Unip), Mateus treina desde 1999 com apoio da instituição. Apesar de as Olimpíadas Universitárias não serem do mesmo nível a que se acostumou, Mateus considera válida a troca que fez com a universidade, num esquema semelhante ao adotado nos EUA: "Ela me dá a bolsa e eu participo da competição por ela."

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