Quem pára de estudar, logo se arrepende

Quem, por um motivo ou por outro, teve de parar de estudar não demora muito a se arrepender. No Rio, Edílson da Silva Carvalho, de 19 anos, jura que largou os estudos por influência dos amigos, há três anos, quando estava no 2.º ano do ensino médio. "Você sabe como é quando a gente é novo. Todo mundo chama para sair, matar aula, e você vai. Acaba se acostumando a faltar. A galera foi parando de estudar, e eu parei também", diz ele.Após deixar a escola, Edílson trabalhou em vários empregos, o último como motoboy. Hoje, aos 22 anos, desempregado, se arrepende. "Parei porque estava na fase de zoar um pouco. Dei mole. Agora, quero voltar a estudar e entrar na faculdade", afirma o rapaz, que pretende ser fisioterapeuta. "Foi burrice minha. Já era para eu ter acabado (o ensino médio) há muito tempo e estar em um trabalho bom", reconhece.Mas, para quem conclui o ensino médio, o grande problema não é entrar na faculdade, mas arrumar um emprego que permita pagar as mensalidades. Tiago Sanches Lima (foto), de 19 anos, cursa o 3.º ano do nível médio em uma escola pública, no período noturno, e trabalha em uma loja de um shopping center de São Paulo durante o dia.Conselho de mãeO estudante conta que nunca conheceu o pai, mora com o avô, um tio e a mãe. "Ela tem apenas o nível fundamental, trabalha em uma confecção e vive falando que a pessoa sem estudo não é nada." Ele pretende cursar Administração de Empresas ou Computação Gráfica e conta com a promessa da mãe e do tio de ajudá-lo a bancar as despesas do curso superior.Camila Rodrigues dos Santos, de 22 anos, também trabalha no comércio, numa indicação que esse segmento continua sendo uma das portas de entrada dos jovens no mercado de trabalho. Mas, para conseguir o emprego, ela teve de parar de estudar porque não foi possível compatibilizar o horário das duas obrigações. Assim, largou o curso técnico de informática no terceiro ano.Camila conta que está cada vez mais difícil voltar a estudar, pois o pai sofreu um acidente, está afastado do trabalho, e há três meses é ela quem banca as despesas da casa. Mas não perde a esperança de, no futuro, passar no vestibular para estudar Fisioterapia. leia também Estudo desfaz mito de que jovem é folgado Brasil é primeiro país a ter índice da Unesco

Agencia Estado,

15 de março de 2004 | 11h02

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