Queda da Selic agita alunos do ensino médio

Com a redução da taxa Selic, na última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), Guilherme Costa decidiu reavaliar sua carteira de ações. Seria uma atitude típica de um investidor comum, não fosse Guilherme um adolescente de 16 anos - com aparelho nos dentes e voz rouca para provar.Com a decisão do Copom, ponderou ele, vale a pena comprar ações de empresas com forte presença no mercado interno. "Com juros menores, os empréstimos ficam mais acessíveis, mais dinheiro circula, mais pessoas vão às compras e o consumo aumenta", explicou. "Por isso, vou investir nas companhias que podem crescer no mercado interno."Guilherme é um dos alunos da Escola Lourenço Castanho, em São Paulo, que tem Economia entre as disciplinas obrigatórias para o ensino médio. Na aula, os adolescentes discutem temas como mercado, política econômica e desenvolvimento. "O objetivo é fazer o aluno entender a economia por meio de coisas que afetam o seu dia-a-dia", explica o professor, Osvaldo Ferreira.Comprando na baixaA parte prática do curso foi batizada de "Comprando na Baixa e Vendendo na Alta", um projeto que permite aos alunos investir recursos virtuais em ações negociadas na Bovespa. Guilherme e seu grupo começaram o ano com R$ 100 mil disponíveis para investir e, desde então, acumulam uma valorização de 32%.Florestan Sanches, de 17 anos, e Bruno Sampaio, de 16, iniciaram com o mesmo valor e já lucraram, virtualmente, 40%. "Preferimos as blue chip (ações de primeira linha), como a Petrobrás, porque são menos arriscadas", disse Florestan.Guilherme prefere ser um pouco mais arrojado. "Estou pensando na Bombril, que está em baixa", disse. "E também quero aumentar minha participação na AmBev. Com o aumento do consumo no mercado interno, haverá mais festas e o brasileiro beberá mais cerveja", justificou.

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