Quando é preciso mudar

Marina Craveiro, de 19 anos, mudou de escola quatro vezes antes de se formar no Colégio Santo Américo, no Morumbi, zona sul. Seu irmão Pedro, de 26, trocou só uma vez, mas teve de passar por um complicado processo de adaptação. Os pais, Américo e Maria Isabel Lima Craveiro, aprenderam na prática como é difícil escolher escola para os filhos - e o quanto é complicado mudar depois. Apesar disso, Maria Isabel acha que o processo valeu a pena. "Antes de qualquer coisa, é um aprendizado para os pais. Mesmo quando fazemos a opção que não é a ideal."   A psicopedagoga Ana Luiza Borba acompanha há 25 anos casos de crianças que precisam mudar de colégio. Ela diz que não existe escola ideal se o adulto não entender as necessidades do filho. "Às vezes, os pais mudam o filho de escola primeiro para depois ver se o aprendizado melhora. Não analisam a fundo a situação."   ORGANIZAÇÃO   Ana lembra-se de um caso em que os pais, formados em um colégio tradicional, colocaram o filho numa escola alternativa porque não tinham gostado da sua própria experiência. "O garoto era inteligente, mas se perdia porque a escola alternativa não proporcionava senso de organização. Quando mudou para um ambiente mais organizado, o menino começou a ir bem."   A decoradora de interiores Rosana Santana fez o caminho inverso com o filho Gabriel, de 22 anos, que mudou de uma escola tradicional para outra mais liberal. Gabriel começou a ter problemas quando estava na 2ª série do ensino fundamental. "Ele ficou inseguro e com dificuldade de se relacionar com os amigos", conta Rosana, que recorreu a uma terapia. Logo no primeiro mês, ficou claro que o problema era a escola. "Com orientação profissional, enxergamos. Não temos parâmetros para identificar problemas sozinhos", diz Rosana.   Os casos de problemas no aprendizado por inadequação ao perfil do colégio são frequentes. Nívea Maria de Carvalho está acostumada a receber crianças de outras escolas no Graphein, colégio que dirige. Elas representam cerca de 80% dos 80 alunos da escola, que fica em Perdizes. Alguns desses estudantes transferidos têm algum tipo de déficit de atenção. Por isso, o Graphein desenvolve projetos de ensino individuais, montados a partir dos interesses de cada aluno. "Quem gosta de culinária, por exemplo, poderá ter uma aula de matemática ao fracionar pedaços de pizza", diz Nívea, que teve de criar uma nova disciplina no último semestre porque pelo menos três alunos mostraram interesse em design gráfico.   Nem sempre desempenho escolar ruim é sinônimo de falta de adaptação ao estilo da escola. Mas os pais têm de ficar atentos. Para Ana Luiza Borba, não é difícil perceber quando o filho precisa, realmente, mudar de colégio. "A criança se torna infeliz e mostra isso claramente. Às vezes, até verbaliza", afirma. "Passa a não mostrar vontade de ir à escola, mesmo em atividades sociais de fim de semana."   Em outro caso que acompanhou, a psicopedagoga conta que o filho mostrou que precisava mudar de colégio. "O pai não captou a mensagem, não. Para ele, era uma questão de honra. Nesse caso, precisamos respeitar as vontades. A questão é delicada."

Lucas Frasão e Paulo Saldaña, especial para O Estado ,

15 Outubro 2009 | 10h38

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