Qual o peso adequado das palavras?

Enquanto Fuvest valoriza testes, outras universidades apostam nas dissertativas

Carlos Lordelo, Estadão.edu

27 Junho 2011 | 22h09

Menos questões e menos peso da segunda fase, discursiva, na nota final. Aprovado este mês, o pacote de mudanças na Fuvest reforçou a importância da primeira fase e seus exames de múltipla escolha, o que vai contra medidas adotadas este ano por outras universidades.

 

A UFMG, que usa o Enem como primeira fase, vai aplicar na segunda etapa uma nova prova de português e literatura para 44 dos 75 cursos de graduação. Na UnB, o vestibular vai exigir mais domínio da língua.

 

Na Fuvest, a nota da primeira fase, com 90 testes, representará 25% da pontuação final. Na segunda, o aluno terá de fazer menos questões no segundo dia de provas: serão 16, em vez de 20. A USP não quis se manifestar sobre o peso das fases. E atribuiu o corte do número de questões a um estudo da Fuvest, segundo o qual 80% dos candidatos tinham dificuldade em responder às 20 perguntas em quatro horas. “A estrutura do vestibular não foi alterada.”

 

Segundo a pró-reitora de Graduação da UFMG, Antônia Soares Aranha, a nova prova, dissertativa, foi uma demanda dos colegiados de áreas como Matemática e Engenharia, por exemplo, que querem medir a capacidade de interpretar e produzir textos. “Muitas vezes o aluno tem raciocínio matemático, mas não consegue interpretar o problema.”

 

Na UnB, a redação terá caráter classificatório. Nas questões discursivas, serão julgados aspectos como gramática e ortografia, e não só a correção da resposta. “Queremos agregar ao perfil do nosso aluno a capacidade de se expressar”, diz a decana de Ensino de Graduação, Márcia Abrahão.

 

Responsável pelo vestibular da Unicamp nos anos 80, quando ele virou 100% dissertativo, Jocimar Archangelo diz que é preciso valorizar a capacidade de expressão e o raciocínio. “Questões de múltipla escolha têm uma falsa objetividade, a de que um problema pode ser resolvido de uma só maneira.”

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