FELIPE RAU/ESTADAO
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Qual é o papel educativo da família?

Um dos pontos fundamentais do processo de educação dos filhos é a socialização

Rosely Sayão*, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2022 | 05h00

Qual o papel educativo da família com os filhos? Não é simples responder a essa questão na atualidade já que os pais, em geral, têm sempre mil e uma tarefas com a garotada, e mesmo com os adolescentes.

É um tal de procurar escola, levar e buscar, acompanhar as obrigações escolares, cuidar da saúde, regrar as atividades diárias, procurar e fazer programas com eles, mandar tomar banho, escovar os dentes, ir dormir, se alimentar bem etc. e tal. Ufa! Haja tempo e energia.

Só que, em geral, essas funções se encaixam mais na – se podemos chamar assim – logística do que na formação educativa dos filhos, não é?

Um dos pontos fundamentais da educação dos filhos é a socialização. Não, não vamos confundir com atividades sociais tais como trazer colegas deles para brincar em casa, levar a festas de aniversários, à praça ou realizar programas com eles. 

Socializar uma criança é ensiná-la a conviver bem com a família e com todas as outras pessoas. Isso significa ensinar o filho a se comunicar adequadamente com as palavras, a se alimentar ao lado de outras pessoas, a vestir-se adequadamente para os locais que frequenta, a ter relacionamentos respeitosos com os adultos, a obedecer os pais e outros responsáveis, cuidar dos mais novos etc.

E as regras da vida? Ah! Isso eles aprendem, por exemplo, jogando e sabendo respeitar as regras de um jogo. 

Aí está: boa parte da função educativa da família acontece indiretamente, ou seja, pela observação que os mais novos fazem dos adultos que mais convivem com eles. Os pais, por exemplo. É isso que significa educar pelo exemplo: "Quero ser ou fazer isso como minha mãe, como meu pai". Mas é bom saber que o contraexemplo também educa: "Não quero ser ou fazer isso como meus pais". 

Um ponto importante da função educativa dos pais é transmitir aos filhos as tradições da família à qual eles pertencem. O que costumam comer, qual religião professam – se professam – e se rezam e como rezam, quais os valores que mais importam ao grupo familiar, quais atividades de lazer preferidas. 

Na era do consumo, tem sido um pouco mais difícil essa responsabilidade. É que o mercado seduz e, em vez de a família fazer um bolo de aniversário para os filhos, encomenda; em vez de preparar a receita da família, vai ao restaurante ou pede delivery e assim por diante.

É preciso lembrar que é a partir da família que os filhos forjam a sua identidade. Por isso, eles precisam saber, na prática, os estilos de viver de seu grupo familiar.

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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