PUC vai ter cursos tecnológicos

A Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo oferece neste ano, pela primeira vez, cursos tecnológicos. Depois de 60 anos com a graduação tradicional, a instituição se rende ao mercado e terá, já nesse vestibular de meio de ano, cursos de curta duração. A intenção, segundo a vice-reitora da PUC-SP, Bader Sawaia, é formar profissionais capazes de inovar a tecnologia do País.?Nós estamos entusiasmados?, diz. Os cursos abrangem quatro áreas do conhecimento - Gestão, Hipermídia, Saúde e Design - e devem ser oferecidos nos campus de Perdizes, Santana, Consolação e Sorocaba. A definição do Conselho Universitário da PUC iria ocorrer na quarta-feira, após o fechamento desta edição, mas a vice-reitora adiantou que já estavam preparados para aprovação os cursos de Gestão de Pequenos e Médios Negócios, Gestão do Marketing, Gestão de Segurança Pública e Direitos Humanos, Gestão Digital e Hipermídia, Design de Games, Radiologia e Agronegócios.Cada um deve ter 50 vagas, com exceção do curso de Segurança Pública, com 60. Haveria ainda a possibilidade de que outros dois cursos fossem aprovados. Nem todos devem estar disponíveis para o segundo semestre, mas a intenção é que todos possam fazer parte do vestibular do fim do ano.?A universidade também quer ter a sensibilidade de ser ágil e responder às necessidades?, diz Bader, sobre o mercado. A PUC levou um ano para completar os estudos e discussões sobre os cursos. Segundo ela, a crise financeira que a PUC-SP enfrenta nos últimos meses também incentivou a abertura dos cursos.A característica deles deve ser a interdisciplinaridade, já que haverá junção da tecnologia com o humanismo e a visão social. A duração será de dois anos e meio. Depois de formado, o aluno recebe o título de tecnólogo e o diploma é de nível superior. A maioria dos cursos deverá ser no período noturno. Esperando interesse maior do público jovem, as aulas do curso de Design de Games será à tarde.Um detalhe importante é que o preço da mensalidade deverá ser mais baixo que os dos cursos tradicionais da PUC. ?Cumpre um dos objetivos da instituição, ampliando a capacidade de incluir alunos ao curso superior?, afirma Bader.PolêmicaOs cursos tecnológicos têm sido motivo de polêmica nos últimos meses. Na semana passada, depois de forte oposição de universidades particulares, o ministro da Educação, Fernando Haddad, assinou um decreto que institui, entre outras coisas, o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia. Ele traz as áreas em que as instituições podem oferecer cursos tecnológicos e as características desse profissional.Cada área - são exemplos Artes, Comércio, Comunicação, Gestão, Meio Ambiente e Turismo - se divide em determinados cursos. Segundo o MEC, a intenção é orientar estudantes e instituições sobre a graduação tecnológica. Existe também a preocupação com a grande quantidade de cursos tecnológicos que estão sendo abertos no País nos últimos anos.Atualmente, o Brasil tem cerca de 3.600 cursos superiores de tecnologia, com mais de mil denominações diferentes. A iniciativa do catálogo, inédita no País, também visa a preparar e organizar o mercado da graduação de curta duração para ser avaliado. O MEC já anunciou que cursos tecnológicos passarão a fazer parte do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o substituto do Provão.?Cursos tecnológicos não podem estar engessados porque são ofertas rápidas para demandas do setor produtivo?, diz o vice-presidente do Conselho de Reitores de Universidades Brasileiras (Crub) e reitor da Universidade de Guarulhos (UNG), Valmor Bolan. ?O MEC não vai conseguir prever no catálogo, por exemplo, um curso de produção de borracha na Amazônia.?Para ele, os cursos tecnológicos têm ?valor social extraordinário? porque são direcionados a alunos carentes que precisam rapidamente ser inseridos no mercado de trabalho. ?E a demanda cresce a cada ano?, completa. Na UNG já há 19 cursos tecnológicos e, neste semestre, outros cinco serão abertos. Entre os cursos mais procurados estão os de Gestão em Recursos Humanos e Logística Comercial.OrigemA versão preliminar do catálogo está no site do MEC, na área destinada à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Durante os próximos 30 dias, ele estará aberto à consulta pública. O MEC encoraja, inclusive, cursos experimentais - desde que atendam demandas regionais específicas e estimulem inovações científicas e tecnológicas.Os interessados podem fazer sugestões de cursos que não constam do documento. Depois dessa etapa, o catálogo será impresso.Os cursos tecnológicos começaram a crescer no fim dos anos 90, quando um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), homologado pelo ministério, determinou que eles seriam de graduação. Isso quer dizer que, ao terminá-lo, o formando pode ingressar em pós-graduação stricto sensu.A duração dos cursos varia de 2 a 3 anos e seu currículo é menos acadêmico e mais voltado para o mercado profissional. Os tecnológicos podem ser oferecidos por Centros de Educação Tecnológica - como o Cefet, que é federal - e por universidades públicas e privadas.

Agencia Estado,

18 de maio de 2006 | 22h02

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