Felipe Giubilei/Divulgação
Felipe Giubilei/Divulgação

PUC-Minas é a primeira universidade privada ocupada no País

Segundo o movimento, cerca de 100 alunos tomaram o maior câmpus da instituição em Belo Horizonte nesta quinta-feira

Matheus Prado, Especial para o Estado

04 Novembro 2016 | 13h34

SÃO PAULO - Estudantes da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), em Belo Horizonte, reuniram-se no fim da tarde desta quinta-feira, 3, e decidiram ocupar o principal câmpus da universidade em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 (55/2016), que congela os gastos públicos no País durante 20 anos. Essa é a primeira universidade particular tomada por alunos.

As principais reivindicações do grupo são de que, caso aprovada, a emenda afetará alunos bolsistas, beneficiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e também as bolsas de iniciação científica, além dos professores. 

A assembleia, que ocorreu no câmpus Coração Eucarístico, teve espaço para discursos favoráveis e contrários à ocupação, antes da decisão ser votada. Os presentes opinaram entre: ocupar no próprio dia; ocupar somente depois do Enem; não ocupar. A primeira opção recebeu mais votos, e o prédio do Instituto de Ciências Humanas (ICH) foi ocupado. 

A organização garante, através de nota, que não atrapalhará o Enem. "Em respeito aos alunos que pretendem entrar no ensino superior, decidimos que a ocupação respeitará o exame, mas reafirmamos que nossa luta é para que esse mesmo aluno tenha acesso à universidade e sua permanência nela seja assegurada."

Segundo o movimento, todas as decisões são tomadas coletivamente e divulgadas na página do Facebook "OCUPA PUC Minas", que já tem mais de 1.700 de seguidores.

Apesar da grande adesão, alguns alunos são contrários ao movimento. Rafael Bonanno, de 24 anos, é estudante de Jornalismo na instituição e não é a favor da ocupação.

"O aluno que paga mensalidade para ter aula é impedido por um grupo, que protesta pela má administração de recursos de um governo federal que, muito provavelmente, foi eleito por essa mesma parcela que hoje é responsável pelas ocupações", afirma Bonanno.

Na noite desta sexta, os manifestantes informaram que mudariam o local da ocupação. "Foi deliberado em conjunto com todos estudantes ocupantes que a aplicação do Enem continuará de forma prevista pelo MEC, portanto estamos nos deslocando para o prédio 20, onde não serão realizadas as provas do Enem, e após o término do exame a ocupação escolherá um novo local. E queremos reiterar que a ocupação não está prejudicando o regime de aulas".

Em nota, a PUC-Minas se diz aberta ao diálogo com os alunos, desde que o Enem não seja prejudicado. Confira a íntegra da posição da universidade:

"A PUC Minas, diante da ação de sessenta estudantes que ocuparam o pátio externo do Prédio 6 do Câmpus Coração Eucarístico, reafirma sua disposição em dialogar  permanentemente com os alunos e que tem atuado para que os exames do Enem, neste próximo fim de semana, transcorram com normalidade nas unidades e câmpus da universidade.

Para tal, tem promovido diálogo cordial com os representantes deste movimento, que também manifestam preocupação com a garantia de que o Enem aconteça nas instalações da universidade e que os milhares de alunos da PUC-Minas não tenham suas atividades acadêmicas dificultadas."

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