PUC faz cruzada contra a maconha

Pró-reitor de Cultura da PUC-SP responde a 4 perguntas sobre ação de fiscais no câmpus

Bruna Tiussu, Especial para O Estado de S. Paulo

30 Junho 2009 | 14h16

O uso de drogas é um problema recorrente (e até folclórico) no câmpus. Por que só agora reprimi-lo? Sempre houve uma postura cínica, é mais popular não falar nada com a moçada, há populismo também no universo acadêmico. Faltava um olhar cuidadoso sobre a questão, afinal a PUC não é um lugar de drogas. Ao assumir, o reitor Dirceu de Melo decidiu que deveríamos combater o problema de forma franca. O porcentual de usuários frequentes é de cerca de 10% dos universitários. Pouco, mas o suficiente para incomodar. E já deu resultado? Os estudantes se negam a dar o nome aos fiscais, o que já esperávamos. Porém, a fiscalização causou natural inibição do uso de maconha e constatamos uma queda de abordagens: hoje são 10 usuários por dia, já é um avanço. E, quando tivermos a identificação, vamos conduzir os alunos, obrigatoriamente, a acompanhamento socioeducativo. Qual o maior obstáculo para o sucesso da iniciativa? O questionamento com os alunos é o maior desafio. Há um grupo de estudantes pouco aberto ao diálogo, mas não abdicamos. Não estamos fazendo política linha-dura, como dizem por aí, nem é uma medida moralista. O objetivo é questionar os mal-estares do mundo atual, e o uso de drogas é um deles. Haverá outras medidas? Acho que não precisaremos impor meios de identificação pessoal ou catracas. Os 120 fiscais transitam por todo o câmpus, menos nos centros acadêmicos, por ordem do reitor, mas isso ainda não virou um empecilho à campanha. Houve boatos de plaquinhas nas portas dos CAs dizendo que ali é ambiente livre para fumar. Caso haja problemas, repensaremos a questão. Damos um grau de liberdade interessante aos alunos e à comunidade, prezamos a boa presença da PUC no município, aberta para o trânsito de não-alunos, e queremos mantê-la assim.

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