Publicitário lança livros para aspirantes à profissão (que na Fuvest, são mais que cem por vaga)

Todo ano, pelo menos 16 mil novos publicitários se formam no País em 302 faculdades e saem em busca de um emprego. E, todo ano, o número de jovens que sonham em entrar em uma faculdade de propaganda continua a aumentar. Não é à toa que o curso mais concorrido da Fuvest é, de novo, publicidade, com 102 candidatos por vaga. Mas a maioria dos vestibulandos - e também dos recém-formados - não tem noção do que vai encontrar pela frente e acaba se frustrando com a realidade. Para mostrar a vida real aos futuros profissionais, o publicitário Carlos Domingos, de 34 anos, dono da agência Age e vencedor de 10 leões em Cannes, escreveu Criação sem Pistolão, um livro para quem quer conhecer o mercado e saber como entrar nele sem precisar ser indicado por alguém. O livro sai pela editora Negócio.Como surgiu a idéia do livro? Por causa dos pedidos de estágio que recebo na Age, passei a olhar mais para quem está começando e descobri um despreparo muito grande. Resolvi, então, ir fundo no assunto. Em qualquer área, as pessoas vão procurar emprego conhecendo a realidade da profissão, mas com a publicidade isso não acontece. Tem muito aventureiro, gente que só foi fazer propaganda porque é moda estudar isso. E por que existe essa moda? Primeiro tem a questão do glamour. Todo mundo acha que é chique trabalhar na área de criação publicitária mesmo sem saber o que é isso. Depois, tem os publicitários famosos que aparecem na TV. E, por último, há o que eu chamo de "efeito Silvio de Abreu": na última década, três ou quatro novelas mostraram agências fictícias onde a vida dos publicitários era uma maravilha. Com essas imagens equivocadas, os estudantes acabaram se empolgando e prestando publicidade quando não sabem o que fazer. O livro que escrevi mostra como é a vida de verdade. Então o livro é para vestibulandos e recém-formados... Exatamente. Nele, mostro o raio X de uma agência e conto todas as dificuldades da profissão, além de traçar o perfil de um bom publicitário porque não basta apenas ter talento. O objetivo do livro é desestimular os aventureiros e estimular os que realmente querem trabalhar nessa área. Qual é esse perfil? É preciso ter alguns defeitos, como ser workaholic, e qualidades, como ser curioso, bem informado, sociável, saber conviver com a pressão, ter noção de negócio, apaixonar-se pelos produtos e saber escrever português. Pode parecer estranho, mas tem muito universitário que fala inglês e não tem o domínio da sua própria língua. Como escolheu a profissão? Sempre quis ser ilustrador e fui fazer publicidade por causa disso mas, no meio da faculdade, descobri que era daltônico e tive de partir para outra área. Como também gostava de escrever, me dediquei à criação de anúncios em uma agência experimental que montei com uma amigo na faculdade. A partir desse material, saí pedindo estágio.

Agencia Estado,

05 de novembro de 2002 | 15h42

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