Publicidade, a carreira dos sonhos de quem se acha criativo

Todos os dias, Giovanna de Almeida Landucci, de 18 anos, assiste com atenção às aulas no Objetivo. Também estuda em casa. Faz tudo isso para chegar mais perto do seu sonho: fazer o curso de Publicidade e Propaganda da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP. Antes, porém, ela tem de cruzar a barreira do vestibular da Fuvest, no qual a carreira foi a mais concorrida no ano passado. ?Esse é um sonho, mesmo. Só o nome da USP já dá uma força extra no currículo?, garante a candidata, que já está devidamente inscrita para a prova. No ano passado, quando ainda cursava o segundo ano do ensino médio, Giovanna fez a prova só para testar seus conhecimentos. ?Isso é preciso porque a concorrência é forte.? A aluna tem certeza que Publicidade é a carreira que melhor se encaixa em seu perfil. ?Sou comunicativa e adoro criar.? Colega de Giovanna no cursinho, Daniella de Pádua Dias Gomes, de 18 anos, diz ter características semelhantes às dela ? tanto que já entrou de cabeça na carreira. ?Vejo comerciais pensando em como poderia melhorá-los. Eu e uma amiga costumamos ficar sentadas na frente da televisão, só bolando coisas novas.? Daniella conta que sabia que queria ser publicitária desde os 13 anos. ?Já pensava nisso quando todo mundo tinha na cabeça a idéia de ser médico ou advogado?, afirma a candidata. ?Agora é que deu esse boom, com todo mundo querendo fazer faculdade de Propaganda.? Diretor da ECA, Waldenyr Caldas concorda que o curso agora está entre os mais badalados. ?É um fenômeno comum em cada época. Houve momentos, como nos anos 60 e 70, que o máximo era fazer Ciências Sociais. Era uma das carreiras mais concorridas, ao lado da Medicina, da Engenharia e do Direito.? Caldas explica, no entanto, que a alta procura por Publicidade e Propaganda não é somente fruto de ?moda?, mas da própria exigência do mercado e da consolidação dos cursos universitários do setor. ?Descobriu-se que a informação publicitária é importante, seja ela para dar lucro a alguma empresa ou não. A propaganda é preciosa, por exemplo, para que o governo se comunique com a população, em uma demonstração de transparência.? Segundo o diretor da ECA, passar no vestibular não é o único desafio. ?Quando entram, os alunos têm de estudar muito para completar o curso nos quatro anos regulamentares. Sem dedicação, isso é difícil, porque o nível de exigência é alto.? Na faculdade dos sonhos de muitos candidatos, há até uma empresa, a ECA Júnior, onde os alunos dão os primeiros passos na profissão. Lá, desenvolvem serviços para a universidade e mesmo para empresas de fora. ?O dinheiro que ganham é investido na melhoria da infra-estrutura da ECA Júnior?, explica Caldas. Essa possibilidade de estar no mercado antes da formatura é um alívio para candidatas como Giovanna. ?O vestibular é difícil. Mas pior é a hora de conseguir um emprego.? Páffia Maria Santos José, de 19 anos, também inscrita no vestibular da Fuvest, é outra candidata que já pensa no futuro. ?Sei que o mercado é difícil, mas se a pessoa se dedicar ela consegue achar um espaço.?

Agencia Estado,

06 de outubro de 2002 | 21h48

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