Provedores de internet oferecem prestação gratuita a escolas

A Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet) ofereceu nesta terça-feira ao ministro das Comunicações, Miro Teixeira, a prestação gratuita de serviço a 2.846 escolas já possuidoras de computadores e linhas telefônicas e localizadas nas 600 cidades onde estejam instalados seus associados.Segundo o presidente da Abranet, Roque Abdo, a Telefônica está propensa a participar do programa, oferecendo acesso discado com custos inferiores aos de uma ligação telefônica normal. Mas, para que o programa seja implantado, segundo Abdo, será necessário que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) implante rapidamente, até março, as novas normas de acesso à internet, que proibirão as operadoras de telefonia de subsidiarem os provedores gratuitos, que são vinculados a elas.GuerraCaso a Anatel demore a regulamentar os serviços, haverá uma guerra entre as operadoras, que criarão todas seus próprios provedores e inviabilizarão os serviços independentes, segundo Abdo. O programa da Abranet custaria aos provedores R$ 203 milhões em quatro anos e beneficiaria 2,6 milhões de alunos, segundo os dirigentes da entidade.Abdo explica que as empresas prestariam assistência aos alunos, diferentemente do que ocorre com os provedores gratuitos, que são vinculados a empresas de telefonia e remunerados por elas em troca das ligações telefônicas que geram para a operadora.O ministro, segundo Abdo, mostrou-se preocupado com a situação da internet e defendeu a prestação do serviço por empresas independentes. O presidente Abranet previu que nos próximos 15 dias poderá haver uma guerra entre as operadoras de telefonia se a Anatel não apressar a implantação das novas normas de acesso à internet.LimiteA guerra começaria entre a Telemar, ligada ao IG, e a Telefônica. Abdo diz que hoje os clientes do IG que moram em São Paulo pagam a ligação para a Telefônica. Mas agora, como a Telemar passará a operar telefonia local em São Paulo, parte do dinheiro irá para a Telemar, pois o IG na cidade usará a Telemar como sua operadora. Isso ocorrerá por que, quando os clientes da Telefônica se conectarem à internet pelo IG, estarão fazendo uma ligação da Telefônica para a Telemar. Esse tráfego será apenas em um sentido e ultrapassará o limite que a legislação determina para a compensação entre operadoras. Pelas normas do setor, quando o volume de ligações enviadas de uma empresa para outra supera 55% do volume de tráfego entre as duas, quem tiver gerado mais tráfego deve pagar uma tarifa de interconexão para ressarcir o uso da rede telefônica da concorrente. Ou seja, a Telefônica passaria a pagar indenização à Telemar.Para se defender, a Telefônica também lançaria seu provedor, o I-Telefônica, deixando os provedores independentes cada vez mais isolados, segundo Abdo.O diretor geral de telecomunicações do UOL, Gil Torquato, afirma que, ao contrário do que ocorre nas tarifas telefônicas, as tarifas de interconexão não têm horários reduzidos. Uma pessoa que usa a internet durante a madrugada, por exemplo, após 38 horas mensais à frente do computador terá gerado R$ 3,00 à sua operadora de telefonia. Mas por essas ligações a operadora terá que pagar R$ 50,00 à operadora vinculada ao provedor de internet, tendo uma perda de R$ 47,00.

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2003 | 22h51

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