Provas chegaram a quartel de Petrolina 4 dias antes do Enem

Malotes lacrados ficaram em caixas fechadas com cadeado em recinto trancado; professora e estudantes denunciaram indícios de vazamento do exame na cidade

27 Novembro 2010 | 17h42

Os cadernos do Enem chegaram em 1.º de novembro, quatro dias e meio antes do exame, ao Batalhão General Victorino Carneiro Monteiro, em Petrolina (PE), onde estudantes e uma professora denunciaram indícios de vazamento da prova. Como o exame foi realizado em dois dias, parte do material ficou estocado até a manhã de sábado e o resto até a manhã de domingo. A Polícia Federal admitiu na sexta-feira investigar as denúncias, recebidas com ceticismo pelo Ministério da Educação, para o qual o suposto esquema de fraude teria de burlar uma série de dispositivos de segurança.

O Estadão.edu apurou que os cadernos saíram de Salvador às 7 horas do dia 1.º e só foram entregues às 18 horas no batalhão de Petrolina, a 513 quilômetros de distância. O quartel serviu de polo de distribuição dos exames para todo o Vale do São Francisco, que inclui cidades da Bahia e de Pernambuco. As provas ficaram num recinto trancado com cadeado. Estavam acondicionadas em unitizadores, tipo padronizado de caixa usado em esquemas de logística, fechados também com cadeados.

Os malotes, lacrados, tinham 4 ou 28 cadernos cada um. Isso porque as salas em que os exames foram aplicados tinham, no mínimo, 28 candidatos e, no máximo, 40. O esquema de logística foi montado dessa forma para permitir aos coordenadores de aplicação da prova abrir mais malotes pequenos nos locais onde houvesse mais de 28 candidatos. O MEC não registrou nenhuma irregularidade ou caso de quebra de lacre de malotes na região.

Esquema de segurança à parte, estudantes e a diretora do cursinho Tema, Vera Lúcia Medeiros, afirmaram à reportagem que um candidato de 17 anos disse no dia 5, véspera do Enem, que teve acesso ao gabarito do exame e o ofereceu a alguns colegas. Depois da divulgação do gabarito oficial, o adolescente se gabou a interlocutores de ter acertado 172 das 180 questões do exame. Segundo uma garota de 17 anos ouvida pelo Estado, outros candidatos que receberam o suposto gabarito também afirmaram ter conseguido um índice alto de acertos no Enem.

O delegado Enzo Rebelo, da PF em Juazeiro (BA), cidade vizinha a Petrolina, disse que as reportagens publicadas pelo Estado trouxeram dados suficientes para a abertura de investigação. O Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais, órgão do MEC responsável pelo Enem, informou que, se isso ocorrer, fornecerá à PF um esquema detalhado da distribuição das provas na região.

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