Prova faz países barrarem internet

Na Mauritânia e na Argélia, a cola assumiu tal proporção nos exames do segundo grau que neste ano, em época de exame, as autoridades decidiram bloquear acesso à rede no país inteiro

The Economist, The Economist

15 Julho 2018 | 05h00

Desde que inventaram exames, estudantes dão jeito de colar. Hoje, as respostas corretas estão a umas poucas tecladas no smartphone. Assim, alguns países tiveram de achar novos meios de acabar com a festa. Uns usam detectores de metal, câmeras de vigilância, bloqueadores de celular e até drones. Outros partiram para medidas mais drásticas.

Na Mauritânia e na Argélia, a cola assumiu tal proporção nos exames do segundo grau que neste ano, em época de exame, as autoridades decidiram bloquear a internet no país inteiro. A Argélia bloqueia por pelo menos uma hora durante as provas (que duram uma semana). A Mauritânia, em dias de testes, corta o acesso à web pela manhã e só reconecta à noite. Outros países, como Iraque, Usbequistão e Etiópia, há anos já “fecham” a internet no período de provas. 

Em todos esses países os estudantes são fortemente pressionados a se saírem bem nos exames do segundo grau - o resultado frequentemente determina se eles poderão ingressar em uma boa universidade. Notas excelentes podem até garantir bolsas no exterior. Mas “excelência” é raridade nesse universo. Na Argélia, nos últimos anos, apenas metade dos alunos passou nas provas do secundário. Na Mauritânia, a aprovação é ainda mais baixa. 

Professores tentam ajudar - a sua maneira. Por uma grana, alguns fornecem respostas pelo WhatsApp na Mauritânia. Na Argélia, depois que resultados de testes foram publicados no Facebook em 2016, o governo bloqueou a plataforma. Trapacear nas provas em países muçulmanos é mais difícil para homens que para mulheres, que raramente são revistadas e às vezes usam fones de ouvido sob o véu. 

Desligar a internet sai caro. Darrell West, da Brookings Institution, calcula que em 2015/2016 os 16 bloqueios de internet determinados pelos governos custou a cada país pelo menos US$ 2,4 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões). Talvez ficasse mais barato melhorar as escolas. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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