Prova de transferência para USP tem clima de vestibular

Mais de 3 mil estudantes de outras universidades disputam vagas ociosas

Portal USP,

30 Julho 2012 | 20h23

No último domingo, 29, mais de 3 mil alunos de outras instituições de ensino superior realizaram o exame de transferência para a USP. São 1.064 vagas oferecidas para 2013, e o processo é composto de duas fases – a primeira realizada pela Fuvest, e a segunda pelas unidades da USP em que os cursos são ministrados. O gabarito da primeira fase foi divulgado no site da Fuvest, enquanto a lista de aprovados para a segunda fase sai no dia 10 de agosto.

 

Para conseguir uma das vagas, o candidato pode estar cursando a graduação ou com a matrícula trancada na faculdade de origem neste semestre, mas de qualquer maneira deve estar regularmente inscrito no primeiro semestre de 2013 para que a transferência seja efetivada.

 

Ao todo, foram 3.086 inscritos no processo, 1.994 só na capital. Das vagas, 159 são para as áreas de Humanas, 178 para Biológicas e 727 para Exatas. O curso mais concorrido é o de Direito em Ribeirão Preto, com 247 candidatos para apenas 4 vagas (61,75 candidato/vaga), seguido de Engenharia Civil em São Carlos, com 82 candidatos para 2 vagas (41 c/v) e Arquitetura, com 252 candidatos para 7 vagas (36 c/v). Em números absolutos, Ciências Econômicas fica com o primeiro lugar, com 254 inscritos, seguido dos já mencionados Arquitetura e Direito.

 

Por outro lado, alguns cursos tiveram baixa ou nenhuma procura. Gerontologia na USP Leste, Fonoaudiologia em Bauru, e mais quatro outros cursos não tiveram inscrições. Bacharelado em Física, Matemática e Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental são alguns dos cursos que tiveram menos candidatos que vagas.

 

Clima de vestibular

Débora, Yasmin, André e Lilian. Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

 

Mais de uma hora antes da abertura dos portões já se via um grande aglomerado de “vestibulandos” prontos para realizar a prova. Apesar de não ser o exame tradicional da Fuvest e todos esses candidatos já estarem cursando o ensino superior, o clima de vestibular era notório, como a presença desde propaganda de cursinhos específicos para a prova de transferência, até ambulantes vendendo canetas e lanches. Nervosismo e segurança eram sentimentos que se misturavam entre os presentes.

 

Débora Moreira Costa está tentando uma das três vagas para o curso de Veterinária. Acompanhada de sua mãe, a candidata de 19 anos mostrava-se confiante, apesar de não esconder que tinha uma pontinha de nervosismo. Além do ingresso na USP, a transferência seria a chance da estudante ficar mais perto da família, em São José dos Campos, já que a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, “é bem longe”, como lamentou a mãe.

 

Outra candidata acompanhada, Yasmin Silva, tentava passar o tempo e espantar a ansiedade. Ela disse não ter estudado muito, mas acredita num bom resultado. “A primeira fase tem um nível razoável, é mais tranquilo”, afirmou a estudante, que compete por uma vaga em Ciências Atuariais e que chegou de viagem há pouco tempo. “Cheguei na quinta-feira de Natal (RN), e estou bem relaxada para fazer a prova.”

 

Outra cena comum antes dos exames são candidatos fazendo aquela revisão de última hora – e aqui não foi diferente. Concentrado, o estudante de Engenharia Elétrica André Felipe Bezerra fez cursinho específico para a prova de transferência e se mostrava seguro. “Fiz um cursinho de um mês para me preparar. Era bem puxado e, além do que eles davam, complementei com outros materiais meus”, disse o candidato, que veio de Palmas (TO) e cursa uma faculdade particular com bolsa de estudos. Perguntado sobre a concorrência, André foi taxativo: “Assusta, mas a gente tem de fazer a nossa parte. Eu me dediquei bastante e estou confiante. O vestibular da USP é diferenciado e sempre vai ter concorrência.”

 

Apaixonada pela carreira de Enfermagem, Lilian Caroline Fernandes acredita que a prova de transferência é mais difícil que o vestibular comum. Ainda assim, não perde as esperanças. Ela não passou para a segunda fase por apenas duas questões na última prova da Fuvest, mas foi aprovada em universidades públicas de outros Estados e atualmente estuda na Estadual de Ponta Grossa, no Paraná. Da carreira que escolheu, ela não tem dúvidas: “Amo o que estou fazendo”, declarou a jovem de apenas 17 anos.

O processo seletivo

 

A prova da primeira fase, organizada pela Fuvest, teve 80 questões de múltipla escolha divididas pelas áreas de cada curso pretendido. Para as carreiras de Humanas, a prova continha 34 questões de português, 12 de inglês e 34 de cultura contemporânea, que envolviam questões, principalmente, de história, geografia e atualidades. Para as carreiras de Biológicas, 24 de português e 12 de inglês, 22 de bioquímica e 22 de genética. Os "vestibulandos" de Exatas respondiam 24 de português, 12 de inglês, 22 de física e 22 de matemática. O tempo máximo para a resolução da prova era de 4 horas.

 

Passarão à segunda fase três candidatos por vaga, exceto para o curso de Música, para o qual serão selecionados oito candidatos por vaga. A lista de aprovados sairá no site da Fuvest no dia 10 de agosto. O candidato não pode zerar nenhuma seção da prova para não ser eliminado do processo. Algumas unidades exigem critérios diferentes. O Instituto de Matemática e Estatística (IME), por exemplo, requer que o aluno obtenha pelo menos 50% de acertos em matemática, enquanto que a Escola Politécnica (Poli) exige acerto mínimo de 30% da prova geral, equivalente a 24 questões. As exigências de cada unidade estão disponíveis no manual do candidato.

 

Algumas unidades abrirão edital próprio de transferência, como o Instituto de Física de São Carlos (IFSC), que já adiantou que oferecerá 103 vagas. A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) também fará processo seletivo próprio. Além de São Paulo, a prova foi aplicada em Bauru, Campinas, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos.

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