Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Prova de Português é considerada longa e não tem quadrinhos

Para professores ouvidos pelo 'Estado', candidatos podem ter tido dificuldade em administrar o tempo; grau de complexidade foi maior

Alline Magalhães, Bárbara Mangieri e Sara Abdo, Especiais para o Estado

06 Novembro 2016 | 22h23

SÃO PAULO - A prova de Português da edição de 2016 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi longa, de acordo com a análise dos professores entrevistados pelo Estado, e não incluiu quadrinhos ou charges, como é de costume.

O professor de Português do Colégio Etapa Heric Palos afirmou que os textos longos, apesar de serem característicos do Enem, podem ter sido obstáculos para os candidatos terminarem a avaliação a tempo. "Ao final da prova, o aluno já está cansado e deixa passar alguns detalhes, que são importantes para a interpretação das questões", disse. 

Um dos candidatos que se atrapalhou com os textos longos foi o candidato Vinicius Freitas, de 18 anos, que considerou a linguagem "muito difícil". "Tive que ler alguns (textos) mais de uma vez, o que me tomou muito tempo", disse, ao deixar o câmpus Vergueiro da Universidade Paulista (Unip), na zona sul da capital paulista.

Para o professor do Etapa, a prova teve gêneros textuais bem equilibrados, porém, pouca interdisciplinaridade. "Também dá para ver que as questões estão menos enviesadas politicamente, como era comum", afirmou.

De acordo com a professora Viviane Xanthakos, do Objetivo, figuras publicitárias e reproduções artísticas foram mais presentes neste ano. "O grau de complexidade foi maior", disse Viviani. Ela ainda afirmou que aumentou a quantidade de questões sobre Gramática, como análise sintática e pontuação. "Quebramos a ideia de que Gramática não é cobrada no Enem."

Segundo o diretor do Colégio Oficina do Estudante Campinas, Célio Tasinafo, as questões de linguagens estavam exigentes. "A prova cobrou um vocabulário específico, típico de ensino médio, mas, infelizmente, está além da média dos estudantes", disse.

Na avaliação do professor, os alunos de escolas com menos infraestrutura, que não têm biblioteca ou fácil acesso à internet, por exemplo, devem ter tido mais dificuldade para fazer a prova. /COLABOROU ISABELA PALHARES 

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