Prova da Unesp foi mais exigente que a do ano passado, dizem cursinhos

Para Objetivo e Etapa, último dia de exame teve grau de complexidade elevado, cobrando conhecimento e atenção

Felipe Mortara, Estadão.edu

04 Julho 2011 | 18h13

O último dia de provas do vestibular de meio de ano da Unesp, realizado nesta segunda-feira, foi considerado mais complicado para os candidatos do que no ano passado. Tanto em português e redação como em inglês, os professores dos cursinhos Objetivo e Etapa apontam que o exame teve um grau de exigência mais elevado que em anos anteriores. 

Elisabeth de Melo, professora de português do Objetivo, aponta que todas as oito questões foram de interpretação de texto. “Vimos uma prova bastante complexa para o aluno, com textos difíceis. Havia um poema do Mario Faustino que mistura personagens bíblicos e mitológicos e demandava que se conhecesse bastante história”, diz. “Achei mais difícil que a do ano passado.”

Para o professor de Português do Etapa Heric José Palos, a prova de segunda fase da Unesp foi bem elaborada. “O que mais chamou a atenção é que foi uma prova que a Vunesp faz com primor grande, ao misturar textos clássicos com atuais, como matérias de jornal”, acredita.

Segundo Palos, se comparado com 2010, o exame foi bem mais exigente. “A prova estava mais ‘salgada’ que a última. Não estava longa, só que demandava bastante atenção, concentração e conhecimento. Eles fazem questões que são aparentemente banais, mas conseguem avaliar conhecimento”, diz.

Tema pertinente. O tema da redação – a sobrevivência do livro impresso na era digital – agradou a professora Maria Aparecida Custódio, do Objetivo. “O assunto foi providencial e pertinente. A Unesp quis contrapor o livro impresso e o digital. Ela quis testar qual irá sobreviver”, afirma. “Foi uma prova sempre justa, muito bem feita e que não deixou o candidato sem embasamento, pois tinha bons textos de apoio.”

O tema da redação, a perspectiva sobre o futuro do livro e a persistência do livro impresso com as novas tecnologias, não entusiasmou Palos. “Nada surpreendente. Não é tema banal, mas é batido e não deve ter oferecido grande obstáculo por sua atualidade.”

De acordo com Maria Aparecida, o candidato deveria selecionar entre três caminhos o que achasse melhor. Defender a perpetuação do livre impresso, justificando seu caráter definitivo, o aspecto romântico, nostálgico, do cheiro, do papel impresso. Um segundo caminho, segundo ela, seria defender o desaparecimento do livro, pois a tecnologia se sobreporia com a capacidade de armazenamento de muitos textos em um único aparelho. E o terceiro caminho seria a coexistência da tecnologia digital e do livro impresso. O candidato poderia até se lembrar de exemplos como o rádio e a TV, que convivem bem juntos, mas foram apontados como inimigos quando surgiram as primeiras transmissões televisivas.

Bob Marley. Em inglês, a professora Regina de Azevedo diz que a interpretação de texto foi o maior problema. “Exigia conhecimento médio para superior. Mas acho que grande dificuldade da prova foi lado interpretativo”, conta. “A tradução é o primeiro momento, mas ela quer avaliar o que o candidato entendeu do que ele leu”, resume.

Assim como Regina, o coordenador do curso de Inglês do Etapa, Alahkim Barros Filho, também classificou o exame como "criterioso". O tema, inusitado, foi a obra do cantor e compositor Bob Marley. “Primeiramente um texto sobre vida e legado, sua importância não só para a musica, mas a relevância que teve e ainda tem em diversos países da África, não só na Jamaica. Se você somar os dois textos foi uma prova bastante exigente. Cobrava do aluno um bom vocabulário.”

O exame, segundo ele, pedia para o aluno traduzir três pedaços do texto, que não eram muito fáceis. O segundo texto era a letra da canção One Love. “Quando você tem que interpretar uma letra de música ou poesia é exigido um bom jogo de cintura, apesar de ser uma letra bem popular. O aluno do ensino médio, mesmo o que estuda, pode ter tido problemas”, diz Alahkim. 

Para o coordenador, se comparado com ano passado, essa prova foi mais exigente pelo vocabulário pedido no primeiro texto e também pelo tipo de pergunta que formularam. “O aluno tinha que fazer leitura muito atenta para chegar às respostas que a Unesp queria”, conclui.

Atualizado às 19h03

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