WERTHER SANTANA / ESTADão
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ProUni e Enade são citados em relatório da Unesco sobre educação

Publicação dá destaque ao Programa Universidade Para Todos e ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes como exemplos de contribuições para o desenvolvimento educacional no País

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2016 | 21h40

BRASÍLIA - Duas iniciativas do Ministério da Educação (MEC) brasileiro são citadas na edição deste ano do Relatório de Monitoramento Global da Educação, que será lançado pela Unesco nesta terça-feira, 6. A publicação dá destaque ao Programa Universidade Para Todos (ProUni) e ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) como exemplos de contribuições para o desenvolvimento educacional no País.

Sob o tema Educação Para as Pessoas e o Planeta: Criar Futuros Sustentáveis Para Todos, o relatório conclui que os avanços estão condicionados à melhora das taxas de participação escolar, à interpretação do aprendizado como uma “empreitada” durante toda a vida e ao vínculo entre sistemas educacionais e desenvolvimento sustentável. “A educação pode desempenhar um papel crucial na transformação necessária para sociedades ambientalmente mais sustentáveis, em conjunto com iniciativas do governo, da sociedade civil e do setor privado”, diz o texto.

Lei instituída há mais de uma década para oferecer bolsas de estudo em universidades particulares, o ProUni é mencionado na página 233 como um projeto que ampliou o acesso da população ao ensino superior. Segundo a Unesco, a maioria dos países tem uma fatia pequena de seus estudantes no setor privado, com exceção de algumas nações - entre eles o Brasil, onde essa taxa é de 70%.

Três páginas mais adiante, quando o relatório sublinha que os estudantes devem ser avaliados não só com base na nota, o Brasil aparece como “um dos poucos países que faz avaliações nacionais das habilidades cognitivas dos estudantes”. Segundo o texto, cerca de 80% dos alunos das redes pública e privada fazem o exame quando entram e saem da universidade. “É possível perceber que os estudantes vão melhor em disciplinas específicas do que na parte de conhecimentos gerais”, diz a publicação.

O País aparece também em trechos do relatório sobre a relação entre violência e educação. “No Brasil, os índices de mortes violentas são maiores para homens jovens, de áreas urbanas, onde a falta de oportunidades em educação e emprego podem levá-los a adotar estilos de vida arriscados e associados com gangues e tráfico de drogas”. As utilidades e os serviços públicos de maior qualidade - incluindo as escolas - estão concentradas em locais com maiores níveis de desenvolvimento humano, prossegue o texto.

Sobre questões de gênero, a Unesco salienta os programas H/M, do Instituto Promundo, que faz sessões e campanhas em grupo para quebrar estereótipos entre jovens homens e mulheres. Iniciado no Brasil, já foi copiado para mais de 20 países. De acordo com o relatório, a educação de qualidade aumenta as oportunidades de emprego para mulheres e o letramento as ajuda a ter mais acesso a informações sobre direitos sociais e legais. “Níveis educacionais baixos são um fator significativo de risco de violência doméstica”, conclui.

Os protestos populares brasileiros também são mencionados na publicação, que soma 536 páginas. “As pessoas estão cada vez mais usando táticas pacíficas para combater a opressão, a corrupção e as injustiças dos sistemas político e econômico. A educação aumenta a possibilidade de que cidadãos insatisfeitos se articulem em movimentos não-violentos, como manifestações, boicotes e atos de resistência”.

Conforme a Unesco, o Brasil é um dos países em que o bullying tem efeito negativo sobre a assiduidade dos alunos à escola. O texto também cita que 23% dos professores brasileiros não têm contrato formal - taxa que aumenta para 31% na região Nordeste.

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