Protesto de professor e rap do governador marcam abertura de programa

O domingo tinha tudo para ser de festa na escola estadual Professor Luiz Gonzaga e Silva, no extremo sul de São Paulo. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário da Educação, Gabriel Chalita lançaram ali o Programa Escola da Família, que abre as portas das quase 6 mil unidades da rede estadual para a comunidade nos fins de semana. Mas por pouco a festa não terminou em pancadaria.Um grupo de professores tentou agredir Chalita no palco montado no pátio da escola. O tumulto durou cerca de 20 minutos. "Eu desafio o secretário a sair daqui e visitar a quadra esportiva da escola estadual Jacques Orlanda Caminhada", gritou Severino Honorato Silva, professor da rede há 15 anos e ligado ao sindicato dos professores, Apeoesp.Segundo Silva, a quadra da escola, localizada perto da Luiz Gonzaga e Silva, está quebrada. "Aqui, está tudo bonito. Lá, os alunos têm de fazer vaquinha para arrumar a quadra." Ele e outros seis docentes, munidos de faixas, ainda protestavam contra os baixos salários e a falta de livros e merenda para o ensino médio.Demagogia e partidarismoIrritado com um dos comentários de Chalita - de que o secretário tirava o chapéu para os professores -, Silva tentou subir no palco e foi detido por policiais quando já estava em um dos últimos degraus da escada. "Isso que você está fazendo é demagogia", gritava o professor para o secretário. Silva ainda disse que o governo é "mentiroso" e mostrou seu holerite para provar sua contratação na rede.Para Chalita, a reivindicação dos professores não passou de um movimento partidário. "Eu achei (o protesto) lamentável, porque todos os canais de diálogo podem ser feitos na secretaria." Chalita acrescentou que a escola citada por Silva foi reformada há dois anos. "Pelo que me informei, esse professor nem vai muito na escola e eu não vou até lá só porque uma pessoa vem e berra."Rap com o governadorO governador elogiou a proposta do Programa Escola da Família, que teve início neste domingo. Com as parcerias da empresa de telefonia celular Vivo, do Instituto Ayrton Senna e da Unesco, o programa vai envolver 25 mil jovens bolsistas, que farão a promoção das atividades nas escolas. A capacitação dos monitores será feita pelo Instituto Ayrton Senna.Depois da manifestação, Alckmin tentou dar fim ao constrangimento aceitando o convite dos alunos para dançar rap, ao som da música do cantor Ed Motta. Ao fim da apresentação, ele deixou um recado para a comunidade: "É nóis na fita".

Agencia Estado,

25 de agosto de 2003 | 11h45

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