Protesto de estudantes no Chile termina com 874 presos e 90 policiais feridos

Dirigentes estudantis rejeitaram a proposta apresentada pelo governo de melhorar a educação no país

Estadão.edu

05 Agosto 2011 | 16h56

Os dirigentes estudantis chilenos confirmaram nesta sexta-feira a rejeição à proposta apresentada pelo governo de melhorias na educação e deram um prazo de seis dias para que fosse elaborado um novo plano "claro" e "sério" em atendimento às principais demandas do movimento. O Ministério da Educação descartou essa possibilidade e disse que enviará o projeto para a apreciação do Congresso.

 

Ontem, em mais um dia de protestos nas ruas da capital, Santiago, 874 manifestantes foram presos e 90 policiais ficaram feridos, segundo o subsecretário do Interior do Chile, Rodrigo Ubilla. Pela manhã, alunos do ensino médio, universitários e professores ergueram barricadas em 12 pontos da cidade para reivindicar qualidade e gratuidade no ensino chileno.

 

De acordo com a agência Ansa, as marchas não foram autorizadas pelo governo. A polícia usou gás lacrimogêneo para reprimir os protestos. Mais de mil oficiais foram deslocados para impedir concentrações de estudantes.

 

Confira as imagens do conflito entre a polícia e os estudantes no Chile

 

A população atendeu a chamado da presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, e fez um "panelaço", que se somou às buzinas dos motoristas que trafegavam pelos bairros de Santiago.

 

Há dois meses, as escolas e universidades públicas estão ocupadas e uma ampla mobilização, que chegou a reunir cerca de 400 mil pessoas nas ruas do Chile no fim de junho, pede melhorias na educação.

 

Segundo reportagem do site do jornal chileno El Mercurio, os dirigentes estudantis avisaram hoje que continuarão mobilizados. Eles dizem que a proposta apresentada pelo governo para melhorar a educação tem um "selo ideológico" que, em vez de fortalecer o ensino público, pretende "privatizar a educação".

 

O financiamento estudantil está no centro da mobilização dos jovens porque todo curso universitário no Chile é pago, mesmo nas instituições públicas. Quem não tem dinheiro é obrigado a pegar empréstimo bancário. E, desde os anos 90, as dívidas de crédito educativo são administradas por bancos, com taxas de mercado. Por isso, os estudantes exigem uma ampla reforma, que passa por mudanças no texto da Constituição do país.

 

A Ansa informou ainda que o irmão do presidente chileno Sebastián Piñera, o músico Miguel, disse em entrevista que apoia "100% os estudantes" e que os jovens "lutam por algo que é justo: educação gratuita para todos".

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