Protesto de estudantes em Salvador é reprimido a balas de borracha

Estudantes de Medicina reivindicavam o pagamento de salários atrasados dos professores e melhorias na Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)

Tiago Décimo / Correspondente, SALVADOR

04 Junho 2013 | 13h14

 Um protesto realizado por estudantes de Medicina da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) na manhã desta terça-feira, dia 4, em Salvador, terminou com intervenção da Tropa de Choque da Polícia Militar e oito alunos da instituição atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Dois deles foram feridos por balas de borracha.

O protesto começou às 8h30. Cerca de 200 estudantes, reunidos na frente do campus, seguiram para a Avenida Paralela, a mais movimentada da cidade, e interromperam o tráfego em um dos sentidos. Eles reivindicam o pagamento dos salários atrasados dos professores e melhorias nas condições de ensino do curso.

Chamada ao local para tentar desobstruir a via, a Polícia Militar passou a negociar com os manifestantes a liberação de duas das quatro faixas da avenida, mas os estudantes liberaram apenas uma. Segundo a PM, também foi sugerido que a manifestação fosse feita no canteiro central da avenida, o que foi negado. O reforço da Tropa de Choque foi chamado.

Segundo os estudantes, não houve mais negociações. "Eles (integrantes da tropa) chegaram atirando balas de borracha e bombas de efeito moral contra a gente, não teve conversa", conta a estudante Priscila Pereira. Com o ataque, os estudantes fugiram da avenida e a pista foi rapidamente liberada.

Os dois estudantes atingidos por balas de borracha sofreram escoriações ao cair. Eles foram atendidos por ambulâncias do Samu. Nenhum deles teve ferimentos graves. Outros quatro alunos passaram mal com a confusão e precisaram de atendimento. 

Segundo a PM, já havia a determinação de que eventuais protestos dos alunos da instituição não poderiam interromper o fluxo de veículos da avenida. "Já tínhamos realizado reuniões com eles sobre esse tema e ficou estabelecido que as ações desse tipo teriam de ficar restritas à via que dá acesso à faculdade, paralela à avenida", conta o major César Castro, que comandou a ação. "Não temos interesse nesse tipo de intervenção, mas tentamos a negociação e não tivemos sucesso."

Em nota, a PM informou que teve de agir rapidamente para liberar a pista, já que as negociações não avançaram. A FTC informou que um grupo de estudantes foi recebido pela direção da faculdade, que se comprometeu a pagar os salários de abril até o fim da semana. 

Mais conteúdo sobre:
educação, ensino superior

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.