Protesto contra Anhanguera reúne estudantes na zona norte de SP

Cerca de 80 alunos de câmpus em Vila Guilherme reclamam de infraestrutura e aulas online

Juliana Deodoro, Especial para o Estadão.edu,

23 Abril 2012 | 20h50

* Texto atualizado às 22h

 

SÃO PAULO - Cerca de 80 estudantes realizaram um protesto na noite desta segunda-feira, 23, em frente à Uniban da Rua Maria Cândida, no bairro de Vila Guilherme, zona norte. A manifestação cobrou "respeito" do grupo educacional Anhanguera, que comprou a Uniban no ano passado por R$ 510 milhões e implantou um modelo pedagógico que prevê a realização de 20% do curso por meio de atividades online. Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) também participaram da mobilização.

 

Os manifestantes exigiram melhorias na infraestrutura física e na grade curricular. "A Anhanguera cresceu de tal forma que não conseguiu manter a qualidade", disse o estudante do 3.º ano de Biomedicina Agnaldo Barbosa, de 53 anos. Os alunos usaram nariz de palhaço e apitos. Distribuíram panfletos e sentaram na pista, para interromper o trânsito.

 

Uma aluna do último ano de Pedagogia que preferiu não se identificar afirmou que os horários de aulas foram reduzidos. Segundo ela, vários professores estão sem receber salário e alguns ameaçam fazer greve caso a situação não seja regularizada. "Nem sei se vou conseguir colar grau."

 

Já a estudante do 2.º ano de Nutrição Camila Santos, de 27, disse que o curso melhorou após a aquisição da Uniban pela Anhanguera. "Isso aqui não é uma manifestação, só bagunça", afirmou ao chegar à universidade. Para Camila, a nova forma de avaliação contribuiu para deixá-la "mais estimulada". Mas ela reclama da matéria a distância sobre legislação. "Para mim, é um problema o fato de ser online."

 

Segundo Lais Gouveia, vice-presidente da UNE em São Paulo, a Anhanguera vê o estudante "apenas como um código de barras". "A situação de precarização da estrutura e da grade curricular não se dá apenas nesta unidade do grupo", afirma. "Aqui não existe o tripé ensino, pesquisa e extensão que sustenta uma universidade."

 

A Anhanguera afirmou, em nota, que "vem trabalhando em um projeto de reforma e manutenção" da unidade da Maria Cândida. "Como parte das obras de melhoria do câmpus, já foram entregues o novo acervo da biblioteca e o novo laboratório de informática." Após a manifestação, alunos foram recebidos pela direção do câmpus. A íntegra da resposta enviada pela Assessoria de Imprensa pode ser vista neste link.

Câmpus deserto

 

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo mostrou na edição desta segunda-feira, o câmpus da Maria Cândida fica praticamente vazio nas noites de sexta-feira. O dia é separado para alunos fazerem exercícios no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), site em que os estudantes têm acesso a videoaulas, apostilas e exercícios e devem discutir os assuntos em fóruns e chats.

 

A prática está de acordo com portaria do Ministério da Educação (MEC) que autoriza as instituições de ensino a oferecerem até 20% da carga horária das graduações em módulos semipresenciais. As avaliações têm de ser presenciais.

 

Mas os estudantes da Anhanguera reclamam da qualidade das atividades, de problemas para acessar o material e da falta de acompanhamento de professores e tutores. Os sindicatos de docentes, por sua vez, falam em demissões em massa, corte de custos e subversão das orientações do MEC.

 

A Anhanguera Educacional, cujas ações são negociadas em bolsa, é o maior grupo privado de ensino superior da América Latina. A companhia fechou 2011 com valor de mercado de R$ 2,93 bilhões. No ano passado, comprou a Uniban, na maior aquisição da história do setor no País. Ultrapassou a marca de 400 mil alunos e consolidou a posição de liderança com 73 câmpus e 500 polos de educação a distância espalhados pelo Brasil.

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