Projeto Rondon leva estudantes para mapear problemas do AM

O lago Jaraqui, no centro do município de Manaquiri, a 65 quilômetros de Manaus, não é mais o mosaico de terra seca estampado pela mídia em dezembro do ano passado. O lago está cheio, os peixes estão vivos e pulando nas canoas, mas os problemas do município, agora mapeados por 17 jovens do Projeto Rondon, continuam os mesmos: falta saneamento básico, com esgoto e lixeira a céu aberto, moradores vivendo isolados em meio da selva, em comunidades distantes muitos quilômetros do centro da cidade."Tem gente que nunca teve um sapato por aqui, e as ascaris lumbricoides, as lombrigas, são recorrentes", conta o estudante de enfermagem paranaense Cristian Karpinski, de 21 anos, que chegou ao município no domingo, com uma equipe que deve mapear o município sobre o saneamento básico e as opções culturais. "Pelo que vimos até agora, os jovens não têm opção de lazer, muita criança está trabalhando como adultos", relatou o estudante de história também do Paraná, Ancimar Teixeira, de 22 anos. O estudante Atonildo Soares, de 15 anos, trabalha numa marcenaria da cidade. Entrevistado por Ancimar, Atonildo diz que seu sonho é a cidade ter um curso de dança, de preferência forró. "A gente não tem nada para fazer aqui além de estudar e trabalhar", diz o garoto, que cursa a quinta série e não tem salário fixo na marcenaria: ganha 30% do valor do que consegue vender. O banheiro nos fundos da casa do comerciante José Leite Filho, de 63 anos, impressionou o estudante de biologia paranaense Maicom Lantsck, de 21 anos. "Todos os dejetos vão direto para o lago Jaraqui, sem tratamento", diz. "E do lado dos canos, as crianças brincam todas descalças ou com sandálias de dedo, de borracha". Embora há apenas dois dias no município, os jovens do projeto Rondon já sentiram que há muitos problemas a identificar. Segundo o coordenador do projeto junto à prefeitura, o secretário de Meio Ambiente do município, Luiz Alberto de Oliveira, a prefeitura está gastando cerca de R$ 1,2 mil por dia para bancar a hospedagem, a alimentação e o transporte dos estudantes no município. "Sem essa ajuda, seria muito difícil ter mão-de-obra para este levantamento, que queremos usar para melhorias no município e para conseguir verbas para projetos sociais", contou o secretário.O projeto Rondon, criado em 1967, foi retomado pelo governo Lula no ano passado. Nesta segunda edição, desde o domingo até o dia 19, transportados por aviões, barcos e helicópteros das Forças Armadas, cerca de 700 estudantes universitários de 20 Estados brasileiros estão espalhados em 40 municípios de oito Estados da Amazônia.Além do mapeamento dos problemas dos municípios, os jovens devem capacitar agentes e líderes comunitários em palestras e oficinas sobre questões ambientais, de saúde e saneamento. Também devem prestar atendimento às populações carentes na área de combate a doenças endêmicas e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. (A reportagem viajou a Manaquiri a convite do Exército).

Agencia Estado,

07 de fevereiro de 2006 | 18h05

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